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Dia de vestir branco, andar a pé e homenagear o Senhor do Bonfim

Vestir branco, andar oito quilômetros a pé, subir a Colina Sagrada, tomar banho de água de cheiro e, finalmente, render graças ao Nosso Senhor do Bonfim. O ritual faz parte da Lavagem do Bonfim, principal manifestação popular de Salvador, depois do Carnaval. A festa de 2014 marca os 260 anos da tradição que acontece na quinta-feira (16) que antecede o segundo domingo após o Dia de Reis (celebrado em 6 de janeiro).

Na Lavagem – que se caracteriza por uma caminhada que começa na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, e prossegue até a Basílica Santuário do Senhor Bom Jesus do Bonfim, no bairro do mesmo nome – fé, festa e manifestações populares dão mostras da diversidade da cultura baiana em pleno verão da Bahia.

Marcada pelo sincretismo religioso, unindo fiéis católicos e do candomblé, a famosa lavagem é o lado profano das festividades em homenagem ao Senhor do Bonfim, que foram iniciadas na última quinta-feira (9), com o hasteamento da bandeira e a novena preparatória.

Na quinta-feira mais esperada do ano, baianos e visitante não só de outros estados mas de várias partes do mundo, reverenciam aquele que é considerado o padroeiro do coração da Bahia e que é sincretizado como Oxalá nas religiões de matrizes africanas.

Novidade

Este ano, a Lavagem traz uma novidade. Antes da saída do tradicional cortejo das baianas, terá início uma caminhada católica. Denominada ‘Lavagem de Corpo e Alma’, sairá às 8h, da Igreja da Conceição da Praia, em direção à Colina Sagrada, no Bonfim.
Animados por uma bandinha, os fiéis, com camisas e bonés padronizados e uma garrafinha de água, em forma de cântaro, vão carregar, ao longo do percurso, faixas, cartazes e tabuletas com frases que expressam o desejo de paz, defesa da vida e da dignidade humana, justiça contra a intolerância religiosa e pedindo o combate à violência.

Em seguida, saem as baianas, tipicamente trajadas, acompanhadas por populares, turistas, autoridades, todos trajados de branco, rumo à Basílica Santuário do Senhor Bom Jesus do Bonfim.

É uma caminhada de fé. Momento de pagar promessas, agradecer as graças alcançadas, pedir bênçãos e renovar as energias. Subir a Colina Sagrada é a prova maior de devoção.

Na chegada, a partir do meio-dia, além da bênção solene, muitos conseguem tomar o banho perfumado oferecido pelas baianas, que fazem a lavagem propriamente dita do adro e escadarias do templo com um líquido perfumado, levado em potes, com flores.

Embora a igreja fique fechada à visitação, a imagem do Nosso Senhor do Bonfim fica exposta na porta para veneração.

Homenagens

Com o tema ‘Deixemo-nos guiar pela misericórdia de Jesus, o Senhor do Bonfim’, as homenagens a um dos santos mais populares da Bahia tiveram início no último dia 9, com a novena preparatória que segue até sábado (18), sempre às 19h.

No dia dedicado ao Senhor do Bonfim (19), uma alvorada e o repique dos sinos às 4h30 anunciam o domingo festivo, que segue marcado por missas e adoração ao Santíssimo Sacramento. As celebrações serão realizadas às 5h, 6h e 7h30. Às 9h tem a reza do terço. Às 10h, o bispo auxiliar dom Gilson Andrade da Silva celebra missa solene.

A Procissão dos Três Pedidos em direção à Igreja do Bonfim – que tem inicio às 16h na Igreja dos Mares – e a Bênção do Santíssimo Sacramento encerram os festejos ao Nosso Senhor do Bonfim. A bandeira que foi erguida no início do novenário desce e dá lugar à de Nossa Senhora da Guia, a ser homenageada entre os próximos dias 20 e 25 de janeiro.

História

A história indica que a tradição da lavagem começou com a tarefa de os escravos prepararem o templo para a festa do domingo. As mulheres iam com seus trajes brancos e torços na cabeça, como era a tradição.

A água era colhida de uma fonte localizada no bairro e levada à Colina Sagrada pelos aguadeiros, no lombo de burros. Durante o trabalho, cantava-se e dançava-se.

O Senhor do Bonfim é considerado o padroeiro do coração do povo da Bahia. A história do culto ao santo tem início em 1740, quando o capitão de mar e guerra, Theodósio de Faria, trouxe de Portugal uma imagem similar e no mesmo tamanho da que existia na cidade de Setúbal. Ela foi esculpida em pinho de riga, medindo 1,06 metro de altura.

Em 1745, a imagem foi guardada na Igreja da Penha, em Itapagipe, até a construção do templo de Nosso Senhor do Bonfim. No mesmo ano, foi fundada uma irmandade de devotos, a Devoção do Senhor do Bonfim.

A única colina existente na região de Itapagipe foi escolhida para erguer a igreja, cuja construção durou de 1746 a 1772. Em 1754, a imagem foi transferida para o novo local de culto, onde está até os dias de hoje.

Programação festiva

9 a 18/1 – Novenário, às 19h, na Igreja do Bonfim, no bairro do Bonfim, na Cidade Baixa.
16/1 – Lavagem do adro e escadarias da Igreja do Bonfim, com saída do cortejo a partir das 8h da Basílica Nossa Senhora da Conceição da Praia rumo à Colina Sagrada.
19/1 – Dia festivo em louvor ao Senhor do Bonfim.
4h30 – Alvorada e repique dos sinos.
5h, 6h e 7h30 – Missas
9h – Reza do Terço
10h – Missa Solene celebrada pelo bispo auxiliar dom Gilson Andrade da Silva.
16h30 – Procissão dos Três Pedidos, com a imagem peregrina do santo saindo da Igreja dos Mares em direção à Igreja do Bonfim. Após a bênção do Santíssimo Sacramento, os festejos são encerrados.