A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) recebeu no fim de semana (10 e 11) a primeira Consulta Estadual aos Povos e Comunidades Tradicionais, que contou com participação de jovens com idade de 15 a 29 anos e representantes de sete segmentos – indígenas, terreiros, geraizeiros, quilombos, marisqueiras/pescadores, extrativistas e ciganos.

Na pauta do encontro, debates e discussões temáticas sobre políticas públicas para juventude, além da indicação dos 50 jovens que participarão da 2ª Conferência Estadual de Juventude da Bahia, em outubro. O evento foi promovido pelas secretarias estaduais de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e de Relações Institucionais (Serin) e pela Comissão Organizadora Estadual (COE).

“Atividades como essa colocam em prática o objetivo do Governo do Estado, que é continuar construindo de maneira democrática suas ações políticas, pautado nas demandas que a sociedade civil necessita. Por isso, é importante ter a representação juvenil desses segmentos para que, por meio das discussões, sejam sistematizadas proposições voltadas a contribuir no processo de desenvolvimento econômico-social do jovem baiano”, disse o secretário de Promoção da Igualdade Racial, Elias Sampaio.

O vice-reitor da Uefs, Genival Correia, e a professora Sandra Nívea, que fazem parte da comissão de Ações Afirmativas da universidade, participaram da consulta. Segundo Nívea, o evento dá voz aos povos que antes não eram ouvidos. “Tem muitas coisas importantes para serem ditas por essa juventude que esteve aqui e nunca foi ouvida, pois, antes, colocavam tudo no mesmo caldeirão e o que prevalecia eram as escolhas da juventude urbana. É preciso ver o que os jovens desses grupos específicos têm a dizer”.

O secretário de Relações Institucionais, Cézar Lisboa, afirmou que discorda quando algumas pessoas lhe diz que a juventude atual não é participativa. “Os jovens de hoje estão muito mais mobilizados, conscientes e antenados com as questões sociais do que antes. Os vários segmentos que aqui estão representam um Brasil profundo que nós fazemos parte. Precisamos valorizar e colocar em evidência. De acordo às necessidades e anseios juvenis é possível estruturar políticas públicas que tornem nossa sociedade mais justa, humana e digna”.

No final da consulta, cada segmento presente indicou os jovens que serão os delegados na 2ª Conferência Estadual de Juventude da Bahia. Sidney Argolo, representando as religiões de matriz africana, propôs ao público um canto coletivo da canção ‘Canto das três raças’ e os jovens indígenas fizeram o ritual chamado Toré, com a participação dos índios presentes no evento.