Trinta quilombolas residentes na região sudoeste e no extremo sul do estado receberam, este mês, no município de Malhada, a 900 quilômetros de Salvador, certificados de conclusão de um curso destinado à formação de lideranças que vão atuar no fomento ao desenvolvimento sustentável de povoados, localizados nos Territórios do Sertão Produtivo e do Velho Chico.

A iniciativa, que teve o apoio do governo estadual, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), fortalecerá a autonomia dessas comunidades, capacitando-as a acessar políticas públicas voltadas para as populações remanescentes de quilombos.

O treinamento organizado pela Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais da CAR foi ministrado pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor em Antropologia pela Universidade Nacional de Brasília (BNB), Aderval Costa Filho, que passou para os participantes, noções de direitos quilombolas, antropologia, cultura, identidade dos povos e comunidades tradicionais, desenvolvimento regional sustentável, importância da atuação das lideranças para o desenvolvimento, além da história dos movimentos quilombolas e sociais no campo.

Para João Batista de Souza, 58, morador de Lagoa do Meio, povoado a 20 quilômetros do município de Caetité, as oficinas são uma grande oportunidade de aprender sobre os direitos dos quilombolas e lutar para no futuro próximo ter uma vida melhor. “Recebemos esses certificados com muita alegria, porque a partir de agora tomamos maior consciência da necessidade de transformar a nossa comunidade”.

Segundo o técnico em Desenvolvimento Regional da CAR, Jorge Luís Andrade, as oficinas de formação de lideranças quilombolas representam um passo importantíssimo para o desenvolvimento sustentável dessas comunidades, fortalecendo ou despertando a consciência sobre os seus direitos. “Esta é apenas uma das etapas de um grande projeto, o de Inclusão de Comunidades Remanescentes de Quilombos – Quilombolas, iniciado em meados de 2009 e com prazo de quatro anos”.

Ele destacou que o Projeto Quilombolas, coordenado pela CAR, tem obtido êxito e reconhecimento das próprias comunidades quilombolas quanto à divulgação do conceito e da realidade quilombola na Bahia. “Estamos trabalhando com 100 comunidades e conseguindo fazer uma boa articulação com as lideranças, fortalecendo os quilombolas para que estejam atentos ao que os governos federal e estadual têm oferecido para se desenvolverem”.

Além das oficinas de formação de lideranças, outras voltadas para apoiar associações quilombolas estão programadas. Nessas oficinas, as comunidades aprenderão aspectos relacionados às áreas administrativas de uma associação, com qualificação nos setores contábeis e jurídicos. O projeto financia atividades de comunidades remanescentes de quilombos nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco, com recursos doados pelo Fundo do Desenvolvimento Social do Japão, por meio do Banco Mundial.

Comunidades beneficiadas

Santo Inácio, Lagoa do Rocha, Cedro, Rio das Rãs, Pau D’Arco/Parateca, Barra do Parateca, Sambaíba, Vila Juazeiro, Sambaíba, Helvécia, Olhos DÁgua do Pajéu, Mari, Angico, Barro Vermelho, Lagoa do Peixe, Lagoa do Meio, Nova Batalhinha, Mangau, Jatobá, Piranhas, Bebedouro, Araçá, Cariacá, Agreste