Gestão e comprometimento. Zelo pelo patrimônio público. Valorização do aluno. A combinação desses três elementos resultou numa bem-sucedida administração escolar que vem chamando a atenção da comunidade do povoado de Fedegosos, distrito de Morro do Chapéu, a 386 quilômetros de Salvador. No Colégio Estadual Edigar Dourado Lima, os 405 alunos encontram lugar de aprendizado e também comem o que plantam e cuidam da estrutura como se fosse a casa deles.

Ao visitar a Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), o diretor da escola, Edson de Oliveira, disse ao secretário Osvaldo Barreto que a unidade é a prova de que é possível fazer um trabalho educativo envolvente. “Gestão é um fator determinante para o sucesso da escola”, realçou o secretário no encontro com o gestor da unidade escolar. Ele esteve na SEC acompanhado do professor e palestrante Jorge Bandeira e da jornalista e amiga da escola, Isaura Maria Rocha.

O cuidado que os estudantes, professores, pais e a comunidade em geral têm pela escola, conforme Edson de Oliveira, é fruto de muita dedicação e vontade de acertar. “Trabalhamos, sobretudo, com a autoestima dos nossos alunos e eles se conscientizaram que o colégio é deles, deixando de lado a mentalidade de que, por ser um bem público, não deve ser preservado”.

A escola oferece ensino fundamental e médio. A infraestrutura é composta de sete salas de aula, sala de jogos, sala de informática, sala com TV a cabo Sky, rádio comunitária, biblioteca (com assinatura de revistas) e cozinha equipada de fogão, geladeira e freezer.

Aula de cidadania

Além de aulas comunitárias de plantio de hortaliça, frutas e raízes (que complementam a merenda escolar), os estudantes são sempre convidados a participar de atividades como palestras, seminários e gincanas. O resultado se reflete no estado de conservação da estrutura física do colégio e na relação interpessoal entre alunos e professores.

O estudante Devair Martins, 17 anos, considera o colégio Edigar Dourado Lima seu porto seguro. “Gosto muito da minha escola porque proporciona eventos que melhoram nossa aprendizagem e nos ajuda a pensar num futuro melhor”. Ele cita o plantio de horta, as aulas de informática e a rádio comunitária, que é comandada pelos estudantes nos intervalos das aulas, como alguns dos projetos de destaque que a unidade oferece aos alunos.

A colega Tiele Santana Gomes, 15 anos, também elogia o lugar onde estuda. “Nós temos tudo que precisamos para estudar e, além disso, o professor Edson sempre procura trazer novos projetos que ajudam o nosso aprendizado”.

Oficina de reciclagem

Levar um exemplo de cidadania para o colégio Edigar Dourado Lima, por meio da Cooperativa de Coleta Seletiva, Processamento de Plástico e Proteção Ambiental (Camapet), é uma tarefa abraçada pela amiga da escola, Isaura Maria Rocha.

Ela pretende desenvolver no colégio uma oficina destinada ao reaproveitamento das garrafas pet. “São muitos objetos feitos com a reciclagem de garrafas pet – sofás, camas, bijouterias. A ideia é que eles possam ganhar depois sua própria renda com a venda de suas produções”, afirma.