Ex-militantes da luta contra a ditadura militar, estudantes e autoridades políticas, entre elas o secretário de Cultura do estado, Albino Rubim, participaram neste fim de semana na cidade de Brotas de Macaúbas, a 599 quilômetros de Salvador, das atividades que marcaram os 40 anos da morte de Lamarca e Zequinha. A homenagem aos dois heróis do movimento de resistência ao regime militar constou de um ato político, visita ao local onde eles foram executados e o lançamento de um vídeo documentário.

Considerado mártir da luta contra a ditadura, o carioca Carlos Lamarca era capitão do Exército e, em 1969, desertou para se tornar comandante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), um dos principais movimentos armados de resistência ao regime. Por conta disto, ele passou a ser considerado o inimigo número um dos militares. Perseguido, fugiu da região sudeste do país. Ao lado do amigo e companheiro de militância José Campos Barreto, o baiano Zequinha, eles chegam à localidade de Pintada, na zona rural de Brotas de Macaúbas, terra natal do amigo.

Descobertos pelos militares, eles foram caçados e mortos num episódio que traumatizou toda a comunidade local pela brutalidade da ação.

Memória 

Quarenta anos depois, os moradores mais antigos da região ainda ficam receosos em falar sobre o que viram e os mais jovens sequer sabem o que aconteceu. É para resgatar a memória e buscar a verdade dos fatos que há 11 anos é realizado este encontro, organizado pelo Instituto Zequinha Barreto de Brotas de Macaúbas, em conjunto com a Diocese de Barra e as prefeituras de Brotas de Macaúbas e Ipupiara, com o apoio do Governo da Bahia.

Para o secretário de Cultura do estado, Albino Rubim, o município e a Bahia dão um exemplo ao Brasil ao buscar a verdade e a valorização dos que lutaram pela liberdade. “O que vivemos hoje é herança das lutas daquele tempo. Precisamos de mais atos como esse que trazem a memória de brasileiros de muito valor.”

Além de Albino Rubim, também participaram das comemorações o ex-ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Nilmário Miranda; o irmão de Zequinha, Olderico Barreto; Roque Aparecido, presidente do Instituto Zequinha Barreto, além do prefeito de Brotas de Macaúbas, Litercílio Junior.

Comissão da Verdade 

O ex-ministro Nilmário Miranda, que comandou a pasta dos Direitos Humanos durante o governo Lula, lembrou que o Congresso vai votar em breve a criação da Comissão da Verdade, “que irá resgatar a memória de todo o período da ditadura, elaborar um relatório que será incluído no conteúdo das escolas brasileiras. Tudo isso Brotas já fez, com discussão em sala de aula e concurso de redação sobre o tema. É assim que se resgata a verdade”.

Documentário 

Durante as comemorações também foi lançado o vídeo-documentário Do Buriti a Cristalino, sobre a trajetória de Carlos Lamarca e Zequinha Barreto. Produzido pelo historiador Reinaildo Pereira, ele traz a história das mortes de Lamarca e Zequinha como fato que marca o fim da luta armada no Brasil.