Para melhorar a eficiência dos rebanhos caprino/ovino da agricultura familiar, no estado da Bahia, por meio da seleção e melhoramento genético dos animais, técnicos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), participaram, na semana passada, da capacitação ‘Inseminação Artificial em Caprinos e Ovinos’, na Fazenda Vida Nova, município de Tucano. Foram três dias de curso, promovido pela Embrapa Caprinos e Ovinos, de Sobral, no Ceará, em parceria com a Divisão de Caprinos Ovinos da EBDA.

Segundo o chefe da Divisão de Caprinos e Ovinos da empresa baiana, Uelinton Régis, a pretensão com o curso é ampliar os conhecimentos dos seus técnicos, intensificar a aplicação da tecnologia nas estações experimentais da EBDA e difundir os resultados para os agricultores assistidos como forma de incentivá-los ao melhoramento genético de seus rebanhos.

Durante o evento, o veterinário e pesquisador em reprodução animal da Embrapa, Jeferson Ferreira da Fonseca, explicou aos participantes sobre a fisiologia da reprodução, o controle hormonal do ciclo de estro (cio), e as Técnicas de Inseminação por Tempo Fixo (IATF), em caprinos e ovinos.

A capacitação também contou com aulas práticas, onde os participantes aprenderam sobre o manejo do sêmen e do botijão de resfriamento, preparo e manipulação dos instrumentos de inseminação, anatomia e manuseio correto do aparelho reprodutor, além da técnica de inseminação artificial transcervical em ovelhas e cabras.

Segundo a zootécnica e pesquisadora da Embrapa, Ana Maria Bezerra Lobo, coordenadora do curso, o formato de pequenas turmas favorece a participação de todos, principalmente na realização das atividades práticas. “Cada participante treina em três ou quatro animais, o que contribui para um bom aproveitamento da formação, ficando os técnicos aptos a aplicar a tecnologia e a prestar assistência técnica qualificada aos produtores interessados”.

Benefícios da tecnologia

A inseminação artificial é uma biotécnica que consiste em depositar, com um instrumento, o sêmen de um animal, no aparelho reprodutor da fêmea. Essa técnica, conforme explica Uelinton Régis, permite que o criador tenha maior controle das gestações de seus animais e melhore o padrão genético do seu rebanho com mais eficiência e rapidez. “Esse controle evita a transmissão de doenças, facilita os manejos sanitário e alimentar, além de aumentar a rentabilidade do produtor”.

Jeferson Fonseca explica que o sêmen utilizado na técnica passa por teste de progênie, o que assegura que o macho transmita suas características aos descendentes. Na reprodução convencional, um reprodutor cobre em torno de 35 fêmeas e gera 22 crias, por estação de monta, enquanto que, com a inseminação artificial, o mesmo reprodutor pode fertilizar até 25 mil fêmeas e ter 12 mil crias.

“Mesmo sendo uma técnica cara, a inseminação é vantajosa, pois consideramos que há uma maximização do uso do reprodutor, que é um animal de alto custo”, defende Fonseca. Dentre os benefícios da técnica, o pesquisador ressalta a escolha do criador pelas características mais importantes para sua atividade, seja para a produção de carne, lã ou leite, e direciona a reprodução para atender às suas necessidades.

Para o veterinário da EBDA, Francisco Augusto Araújo, que participou do curso, a principal vantagem da tecnologia é poder multiplicar as características de um animal que está em uma região distante para melhorar a genética de um rebanho. “O transporte e o manejo de um animal são atividades complicadas, e também a sua manutenção, pois, além de ser um investimento alto, com o tempo há o risco de consanguinidade, que pode causar problemas no rebanho. Por isso, a inseminação é a melhor opção na relação custo-benefício”.