Huanglongbing (HLB), doença grave que afeta a produção das plantas cítricas em São Paulo, no triângulo mineiro e no norte do Paraná, é tema de encontro no auditório da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), que promove o evento por meio da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), e em parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas.

O secretário da Agricultura, Eduardo Salles, destacou a importância da parceria entre os governos estadual e federal e produtores no estabelecimento de ações preventivas e no controle das fronteiras para impedir a instalação do HLB, que pode, inclusive, dizimar a cultura dos citros. “Acredito na fiscalização de nossos agentes de defesa sanitária, mas caso a doença chegue ao estado estaremos preparados com as armas adequadas para combatê-la”.

Segundo Salles, a Bahia é o segundo maior produtor da citricultura do país – depois de São Paulo -, sendo composta por agricultores familiares. O evento, que termina nesta quarta-feira (28), reúne pesquisadores e agentes de defesa vegetal da Bahia e do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, regiões onde o HLB – anteriormente chamado de greening, a mais severa doença da citricultura em todo o mundo – ainda não foi detectado.

“No seminário, estamos trazendo informações atualizadas sobre a incidência do Huanglongbing (HLB) dos citros e das medidas de prevenção e controle da doença, causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp, que chegou a São Paulo em 2004 e se disseminou muito rapidamente. O inseto (vetor) existe em todas as áreas citrícolas do Brasil, o que não existia era a bactéria”, explicou o chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Domingo Haroldo Reinhardt.

De acordo com ele, oito milhões de plantas já foram infectadas e erradicadas – cerca de 4% da citricultura paulista – em São Paulo. “Nossa grande preocupação é fazer tudo para que a doença não chegue ao Nordeste brasileiro. Os técnicos do Ministério da Agricultura e da ADAB estão bem-preparados na identificação do HLB e trabalham para evitar a entrada de plantas e mudas das regiões contaminadas – São Paulo, triângulo mineiro e norte do Paraná”.

Reinhardt informou que estão sendo acertadas parcerias para o desenvolvimento de pesquisas, métodos de diagnósticos, e monitoramento e controle da doença. O diretor da Adab, Armando Sá, destacou a presença no seminário de fiscais de todo o estado e as ações da Bahia contra a doença. “Instituímos um grupo de defesa sanitária para desenvolver um plano de controle e contingenciamento do HLB”.

Doença devastadora

Tania Santivañez, oficial de proteção vegetal para a América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas para a a Agricultura e a Alimentação (FAO), afirmou que o HLB é a mais devastadora doença que ataca os citros e que a FAO trabalha de maneira coordenada com cada um dos países da América Latina e mantém um projeto de controle que se estende do México à Patagônia.

O diretor de sanidade vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, Cósam de Carvalho Coutinho, explicou que em julho o ministério realizou um encontro no Chile, patrocinado pela FAO. O Comitê de Sanidade Vegetal do Mercosul está em vias de aprovar o Programa de Controle do HLB no Mercosul, entidade que reúne 7 países da região. “De 2004 até agora cerca de 2,7 milhões de plantas cítricas foram erradicadas no estado de São Paulo. Por isso, a preocupação do mundo inteiro em conter o avanço ou controlar o HLB”.