Foto: Elói Corrêa/GOVBA

Na próxima quinta-feira (30), a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) completa 39 anos de existência, aproximando baianos de várias idades do universo da música clássica. A data será celebrada na Live Concerto de Aniversário, com a apresentação de obras ‘Concerto para violino em Ré maior, Op. 35’ e ‘Uma noite no Monte Calvo’, dos compositores russos Tchaikovsky e Mussorgsky, respectivamente. A performance será transmitida ao vivo, às 20h, diretamente do palco do Teatro Castro Alves, através do canal da Osba no YouTube com regência do maestro Carlos Prazeres e solos de Priscila Rato, spalla da Osba.  

“É uma conquista é muito importante uma instituição cultural no Brasil perdurar e mostrar consistência. Esses 39 anos agora, se encaminhando para os 40, provam que a Osba já é uma instituição que faz parte da Bahia e que se configura tradicionalmente como uma das orquestras mais importantes do Brasil. Para essa celebração escolhemos peças que mostram perfeitamente a garra de uma orquestra e casam muito bem com a Osba, que é uma orquestra absolutamente jovial, cheia de vida e de energia”, afirma o maestro Carlos Prazeres. 

A spalla da Osba, Priscila Rato, irá exercer o papel de solista e executar uma das peças mais conhecidas e complexas de executar para violino, o concerto em Ré maior de Tchaikovsky. A instrumentista carioca tem uma relação antiga com a Orquestra baiana. “A primeira vez que eu toquei com a Osba, eu tinha dezesseis anos no concurso para jovens solistas e desde o primeiro contato eu já fiquei encantada com os músicos, que eu vejo como uma grande família. Naquela época, eu jamais poderia imaginar que um dia estaria aqui tocando e dividindo o espaço com essas pessoas que eu sempre admirei. Por isso estou muito feliz de participar como solista desse evento celebrando essa data tão importante”.  

Novo olhar 

Nos últimos anos, sob a curadoria artística do maestro Carlos Prazeres, a Orquestra vem redefinindo seu papel ao se inserir no contexto cultural da sociedade baiana, criando concertos e programas que trazem um novo olhar do público para a música erudita e estabelecendo vínculos entre a orquestra e a cultura do estado. Assim surgiram as séries de concertos Jorge Amado, Carybé, Manuel Inácio da Costa e Glauber Rocha, homenageando artistas que através de seu trabalho difundiram o nome e a cultura da Bahia para todo o mundo. 

Outros destaques são o Sarau OsbanoMAM, que une música e poesia no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM); o Baile Concerto, que leva a orquestra a vivenciar a tradição dos antigos carnavais; e o Cine Concerto, um dos maiores sucessos empreendidos pela Osba, que leva o público a acompanhar a trilha sonora de clássicos do cinema. 

Publicização 

Em abril de 2017, o Governo do Estado assinou o contrato para publicização da Osba. Com a mudança, a Orquestra passou a fazer parte do Programa Estadual de Organizações Sociais. Desta forma, continua sendo mantida pelo Estado, porém administrada pela organização sem fins lucrativos, Associação Amigos do Teatro Castro Alves (ATCA). Isto tem permitido expandir o corpo de músicos e uma gestão da instituição com mais agilidade, além de possibilitar a captação de recursos de forma mais abrangente e proveitosa.  

Desde então, a orquestra teve um aumento do seu público em mais de 200%, expandindo seu público no interior da Bahia e em várias cidades do Brasil. Para a diretora da Fundação Cultural do Estado (Funceb), Renata Dias, o modelo possibilitou que a orquestra se tornasse mais acessível ao público, com repertórios capazes de dialogar com diferentes pessoas. “Assim, fronteiras foram diminuídas, aproximando as pessoas da música clássica, que historicamente nem sempre esteve facilmente disponível para todas as pessoas. E esse é o grande objetivo do Estado em apoiar conteúdos artísticos, fazer que toda a população tenha acesso aos mais diversos formatos”. 

História 

Criada em 30 de setembro de 1982, a Osba é uma companhia estadual que integra os corpos artísticos do TCA. Durante sua trajetória, a orquestra esteve sob a regência de conceituados maestros, como Christopher Warren-Green, John Neschling, Isaac Karabtchevsky, Alex Klein, Olivier Cuendet e Ricardo Castro. A partir de 2011, o maestro Carlos Prazeres assumiu o posto de regente titular e curador artístico da Osba.  

No currículo da orquestra constam concertos nos quais acompanhou grandes nomes da música clássica, como Luciano Pavarotti, Montserrat Caballé e Milla Edelman. Destacam-se ainda as apresentações ao lado do Ballet Kirov, Ballet Bolshoi (Rússia) e Ballet da Cidade de Nova York, além da participação na montagem de várias óperas. Além de grandes apresentações com cantores da música popular brasileira como Gilberto Gil, com quem a Osba entrou em turnê, João Gilberto, Gal Costa, Bibi Ferreira, Saulo Fernandes, Luiz Caldas, entre outros. 

Repórter: Tácio Santos