Mesmo com os efeitos da pandemia e a crise econômica que afeta todo o país, o agronegócio baiano cresceu 5,2% em 2020, colaborando para a manutenção de postos de trabalho e gerando arrecadação para o Estado. O governador Rui Costa abordou o cenário atual e o futuro do setor, nesta quinta-feira (8), durante o Fórum Superagro Brasil, que acontece de forma virtual ao longo do dia, com debates voltados ao agronegócio brasileiro. Rui foi um dos palestrantes convidados para painel ‘Os Estados de Ouro do Agronegócio do Brasil – A visão e os planos dos governadores para incentivar o setor’, que também contou com os chefes do executivo do Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná.

“A infraestrutura é um dos principais gargalos para o agronegócio do Brasil, um país de dimensões continentais. Por isso, a Bahia tem investido em logística e infraestrutura. Estamos montando a ferrovia que vai ligar a região centro oeste do país e o oeste da Bahia ao litoral com um novo porto, a Fiol, que irá reduzir de forma expressiva os custos de toda a produção do oeste e sudoeste da Bahia, melhorando o escoamento e alcançando mercados internacionais. Temos feito um investimento muito expressivo em construção e requalificação de rodovias e parcerias com produtores rurais em obras de pavimentação. Além disso, temos buscado verticalizar a cadeia produtiva, exportando não apenas produtos primários, como também o resultado do beneficiamento dessa produção para alcançar um número maior de pessoas”, afirmou o governador.

O governador também comentou a crise de reputação no meio ambiente que vive o Brasil e como ela impacta o agronegócio nacional. “Precisamos ter mais responsabilidade. Não apenas no trato direto com o meio ambiente, mas também na mensagem que passamos para o resto do mundo. Grande parte do desgaste que a economia brasileira está sofrendo é causada por declarações infelizes dadas pelo governo central que acabam comprometendo e muito a imagem internacional do país afastando a possibilidade de investimentos”.

Cenário atual

O aumento de 5,2% no PIB do agronegócio no cenário da pandemia reflete um crescimento que se dá não apenas no segmento agropecuário, mas em toda a cadeia que envolve as atividades econômicas ligadas ao campo, em realizações e necessidades variadas que passam por insumos, maquinário, distribuição e comercialização, processamento etc. Esse entendimento deixa clara a importância desses bons números diante de uma economia que, por conta do enfrentamento à Covid-19, passou por várias dificuldades.

De acordo com informações da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), a participação do agro no Produto Interno Bruto (PIB) do estado teve um crescimento de 3,5 pontos percentuais, saltando de 20,3% em 2019 para 23,8% em 2020, uma performance recorde que movimentou R$ 72,7 bilhões. Em 2020, houve destaque para os cultivos de soja, milho, cana-de-açúcar, cacau e café. Para 2021, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) têm gerado boas expectativa quanto à produção da soja baiana, que pode alcançar 6,4 milhões de toneladas, com alta de 6,3%, em relação a 2020, o que seria um novo recorde. O mesmo estudo da CONAB indica aumento, em 2021, de 1,1% na produção total de grãos na Bahia, em relação a 2020.

Repórter: Tácio Santos