Vamos conversar agora com o secretário da educação do estado, Jerônimo Rodrigues, para fazer um balanço das ações desenvolvidas ao longo desse ano difícil e que ficou marcado pela suspensão das aulas presenciais por conta da pandemia do coronavírus. Olá secretário, seja bem vindo!

Prazer muito grande falar com você, com seus ouvintes. Um abraço especial aí a todos os educadores, educadoras, estudantes e seus familiares. Alegria muito grande estarmos aqui fechando um ciclo do ano de 2020 e se preparando com muita esperança para enfrentar 2021.

Enquanto gestor da educação, como foi esse ano para o senhor?

Primeiro dizer que não havia uma tendência firme, uma proposição afirmativa do que seria a pandemia. Nós, desde o início, nós acreditávamos que era no mês seguinte. Na expectativa, se preparando, arrumando as escolas, dialogando com toda rede municipal, rede particular, professores, preparando para a volta. A iniciativa do governador Rui Costa também seguiu nessa linha. Os decretos suspendendo aulas seguem aconteceram nessa pegada de 15 em 15 (dias), aguardando que a situação fosse melhorar para a gente assim fazer a retomada. Mas aí estamos nove meses numa situação de total paralisação de aulas presenciais, mas isso não quer dizer que a Bahia paralisou suas atividades. A rede particular teve sua característica, os municípios, cada município tocando com a sua realidade – atividades remotas, entregando material -, a rede estadual, as universidades mantendo o vínculo com os estudantes. As universidades estaduais e federais fizeram atividades, estão fazendo atividades remotas. Portanto, o vínculo nós não perdemos.

Existe um planejamento para recuperar o ano letivo de 2020?

Nós queremos recuperar o ano de 2020 em 2021. Nós temos proposta, plano de trabalho. Atividades finais de semana, atividades nos feriados. Nós temos sim uma proposta de fazer uma recomposição mínima que seja naquilo que a lei, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) permite. Mas nós não estamos tratando como um ano perdido.

Mesmo com as aulas suspensas, a Secretaria da Educação realizou ações como a testagem para o coronavírus em estudantes, professores e servidores. Quais foram as outras ações que o senhor destacaria?

Nós fizemos um grande programa de alimentação escolar, de segurança alimentar e nutricional, garantindo para toda a rede. Foi o único estado que ofereceu o programa Vale-alimentação Estudantil para todos os estudantes matriculados na rede estadual, todos os 800 mil, o valor de R$ 55 para esse Vale-alimentação Estudantil. Fora isso, tivemos um conjunto de atividades que mostraram a presença do Estado nesse momento de cuidado. Por exemplo, o programa Saúde do Professor. Acompanhando, zelando, orientando. Programas pedagógicos como as plataformas de envio de material. Programas, por exemplo, estratégicos para a gente poder continuar acompanhando, que nós não tiramos as bolsas dos meninos. Por exemplo: o programa Mais Estudo, que é uma atividade de reforço escolar, de monitoria dos estudantes. Um ajudando ao outro. Ciência na Escola, Universidade Para Todos…Então, nós continuamos com o nosso cardápio sendo oferecido, com a dificuldade, é claro, da pandemia, mas se mostrando, se apresentando, com presença, lado a lado com estudantes, professores e funcionários. 

E como é que está a preparação das escolas para o retorno às aulas, secretário? Houve alguma ação especial nesse período sem atividades presenciais?

São três frentes. Uma primeira é a preparação das escolas para o retorno às aulas. As escolas estão, na sua maioria, adaptadas com dispensores de álcool em gel, com mais pias, mais lavabos, com janelas onde as salas tenham dificuldade de aeração para que o ar circule. Já distribuímos termômetros para as escolas, mais uma farda. Tudo isso, a gente fez um exercício nesse período para que as escolas se preparassem, inclusive com uma internet de velocidade maior para que a gente possa pegar mais firme com os professores, com os estudantes no sentido de garantir essa estrutura. Então, essa é uma frente: preparar as escolas para o retorno no período pós-pandemia ou na transição da pandemia. A segunda frente é uma frente de manutenção e ampliação e reforma de escolas. Nós conseguimos fazer ao longo desse período.Concluir, iniciar outros…Rede elétrica, rede hidráulica, parte física, acessibilidade. Tudo isso a gente também conseguiu fazer. E a terceira frente é aquela frente de novas escolas. O governador entregou na semana passada em Novo Triunfo a décima escola desse segundo mandato. São sessenta, então nos restam mais cinquenta e nós estamos trabalhando ou já com licitação na rua ou já com obras adiantadas ou com novas licitações com projetos para que a gente possa chegar, até o final de 2022, com novas escolas entregues num padrão qualificado, com campo de futebol society, com quadra coberta, com laboratórios, com refeitório, com cozinha boa, com biblioteca, com auditório. Então, uma parte de infraestrutura para atendimento da assistência estudantil, mas também com a parte de cultura, de arte, de lazer, que é esse o novo padrão de escolas novas na Bahia.    

Secretário Jerônimo Rodrigues, muito obrigado pela entrevista. Qual a mensagem que o senhor deixa para professores, estudantes, servidores e as famílias baianas nesse fim de ano?

Eu quero compartilhar com os professores. Eu quero compartilhar com os gestores. Compartilhar com as famílias. Todos nós estamos muito angustiados. Talvez alguns cansados, mas firmes na fé, na esperança de que nós demos o melhor da gente nesse período. Nós enfrentamos desafios. Perdas de amigos, perdas de parentes, a doença daqui, a doença dali, os medos de cada um. Mas nesse período de Natal é preciso a gente resgatar a fraternidade. Não é um Natal igual, porque não foi um ano normal, mas nós haveremos de superar 2020 com o trabalho de 2021. 2021 com certeza vai ser o ano do início da recuperação daqueles prejuízos que a educação sofreu. Quero aqui abraçar a todas as famílias, a todos os educadores. Nós educadores estamos sentindo a falta da escola, estamos sentindo a falta dos estudantes, sentindo o desejo daquele cheirinho da escola. E eu quero abraçar aqui aos estudantes, pedir que permaneçam na crença que a gente vai estar junto em 2021 na hora que as escolas abrirem. Um forte abraço, fiquem com Deus e um bom 2021.