A aula virtual “222 anos da Revolta dos Búzios”, realizada nesta terça-feira (11), celebrou o movimento revolucionário negro, ocorrido em 12 de agosto de 1798 e que marcou o século 18 pelo fim da escravidão, pela defesa da igualdade racial e por melhores condições de vida da população. Promovida conjuntamente pelas secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), da Educação (SEC) e de Cultura (Secult), a atividade on-line marcou o Dia do Estudante. A aula transmitida pelas redes sociais do Governo do Estado (Youtube, Instagram e Facebook) teve o formato de live em respeito à necessidade de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus.

Com a participação de estudantes, pesquisadores, militantes dos movimentos negros, artistas e educadores, dentre outros segmentos, a aula contou com a participação das secretárias Fabya Reis (Sepromi) e Arany Santana (Secult) e o subsecretário da SEC, Danilo de Melo Souza, que representou o secretário Jerônimo Rodrigues, sob a condução da estudante da rede estadual Liriel Maia e membro da União dos Estudantes Secundaristas (UBES). “Dedicamos esta atividade a nós, estudantes da Bahia e do Brasil, que, hoje, celebramos o nosso dia e esta aula é, também, em homenagem a três grandes personalidades da cultura e da militância negra, que nos deixaram esta semana: os professores Jorge Portugal e Jaime Sodré e a atriz baiana Xica Xavier”, disse a estudante.

A luta pela liberdade, igualdade e fraternidade da Revolta dos Búzios foi destacada pela secretária estadual de Cultura, Arany Santana. “Hoje é um dia em que estamos reverenciando o nosso futuro e nada mais tocante do que lembrarmos da saga dos nossos quatro heróis brasileiros do passado, que são Lucas Dantas, Manoel Faustino, João de Deus e Luiz Gonzaga das Virgens. Creio que, assim, faremos valer o nosso presente. Este é o papel fundamental da cultura: garantir ao povo o direito à sua memória e, consequentemente, à sua verdadeira história. Em tempos de pandemia, quando o desprezo pela vida tem orientado parte da elite brasileira, nada mais justo lembrarmos daqueles que deram as suas vidas pela luta por igualdade, a partir de um movimento que, traduzindo para os nossos estudantes, representou o combate ao racismo, a defesa da cidadania e a promoção da igualdade para que a democracia se faça presente e garanta que, 222 anos depois, as vidas negras continuem importando”.

A secretária Fabya Reis falou do importante episódio histórico que a live celebrou. “É um momento que celebramos 222 anos da Revolta dos Búzios, trazendo essa memória, essa referência de luta do povo baiano , valorizando a sua luta , dos heróis e heroínas da nossa cultura e da nossa história afrodescendente. Agradeço as secretarias estaduais da Educação e da Cultura por esta parceria e a contribuição de todos os participantes neste dia histórico que sempre comemoramos presencialmente mas que, em tempos de pandemia, tivemos que optar por esta aula virtual para falar desse importante movimento”.

O subsecretário Danilo Souza destacou o significado da atividade especialmente para os estudantes da rede estadual. “Tivemos uma aula que resgatou a luta do movimento negro por uma ideia moderna de república, que teve a contribuição efetiva da mulher negra nesse processo de construção da igualdade, que tem que ser exercido pedagogicamente e todos os dias, no ambiente da escola. Neste Dia do Estudante, a aula marca um momento muito especial e simbólico de combate à violência racista, que vitima milhares de mulheres, homens, jovens e crianças negros neste país. Depois de uma aula como esta, temos que refazer muitos dos nossos projetos educacionais para construímos um currículo negro que retrate com fidelidade a memória daqueles que, efetivamente, construíram e constroem a nossa pátria. Isso é fundamental para que os nossos jovens e as novas gerações possam compreender a sua capacidade de construir a igualdade. A Bahia e o Brasil devem isso ao povo negro”, declarou o gestor.

A aula sobre a Revolta dos Búzios contou com as contribuições do mestre em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas, Flávio Márcio Cerqueira; do historiador Clíssio Santana, que coordena o acervo virtual baiano da Fundação Pedro Calmon (FPC/Secult); do presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues; da ativista Jussara Santana, da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen). Também houve intervenções culturais, interação com estudantes e falas de personalidades ligadas à luta racial na Bahia.

Sobre o movimento

A Revolta dos Búzios, também chamada de Revolução dos Alfaiates, foi uma das maiores manifestações populares comandadas pelo povo negro ao longo da história. No dia 12 de agosto de 1798, a capital baiana amanheceu com diversos manuscritos espalhados em prédios públicos, conclamando a população para uma revolta que, entre outros temas, defendia a proclamação da República, o fim da escravidão e a redução de impostos, entre outras pautas reivindicatórias. As publicações propagavam mensagens diversas, dentre as quais a emblemática “Animai-vos, povo bahiense, que está para chegar o tempo feliz da liberdade. O tempo em que todos seremos irmãos. O tempo em que todos seremos iguais”.

Fonte: Ascom/Secretaria da Educação do Estado