Ater remota
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Com a pandemia, o serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater), essencialmente realizado de forma presencial, precisou ser reinventado. O projeto do Governo do Estado, o Bahia Produtiva, lançou uma modalidade emergencial do serviço, que ofereceu suporte para 16 mil agricultores familiares, durante 60 dias.

Nesse período, as 27 instituições prestadoras do serviço de Ater aos beneficiários apoiados pelo Bahia Produtiva, em todos os Territórios de Identidade da Bahia, se reinventaram e ofereceram apoio aos agricultores de maneira remota, por meio de teleconferências, videoconferências, videoaulas e suporte por intermédio de ligações e do Whatsapp.

O serviço emergencial foi realizado com orientação, acompanhamento e supervisão da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), que fez medições periódicas, no intuito de avaliar o andamento dos serviços e de seus resultados.

De acordo com o coordenador de Ater do Bahia Produtiva, Wecsley Ferraz, a ação emergencial foi bem avaliada e deve ser incorporada ao serviço de Ater do projeto. “Foi preciso idealizar uma maneira do serviço emergencial de Ater que mantivesse contato para manter as associações mobilizadas. Nesses 60 dias do serviço, os extensionistas se superaram e essa ferramenta trouxe pra gente mais uma possibilidade de se manter perto do agricultor. Com a retomada gradual do serviço presencial, possivelmente vamos incorporar esse serviço remoto para fortalecer nossas ações”, afirma.

Novas habilidades

O Instituto BioSistêmico (IBS), por exemplo, presta assistência técnica nos Territórios Bacia do Rio Corrente e Velho Chico e atende 24 comunidades nos municípios de Santa Maria da Vitória, Correntina, Cocos, Santana, Tabocas do Brejo Velho, São Félix do Coribe, Sítio do Mato, Serra do Ramalho, Carinhanha, Malhada e Bom Jesus da Lapa. Neste período, produziu videoaulas com temas como Manejo Agroecológico de Hortaliças e Boas Práticas Agropecuárias voltadas para as Plantas Alimentícias Não Convencionais (Panc).

Para o coordenador pedagógico na equipe do IBS, Sidnei Niederle, esse período de execução da Ater foi de muito aprendizado e de muito trabalho. “Nos vimos com a necessidade de desenvolver novas habilidades, uma prática de extensão rural diferente do que vínhamos fazendo, aprimorando sobretudo as ferramentas de comunicação, que se mostrou como uma atividade fundamental. A garantia da continuidade de Ater, durante o período de pandemia, se mostra como uma iniciativa acertada, necessária para evitar a descontinuidade das ações que vinham sendo desenvolvidas, de orientação técnica e de capacitação, mesmo que em um formato diferente, que se descontinuadas acarretariam prejuízos para os beneficiários”, explica.

A agricultora Jucilene Gomes dos Santos, de Tabocas do Brejo Velho, acompanhou as orientações. “Mesmo distante, me senti acompanhada. Isso nos ajuda bastante e nos orienta. Aprendi a fazer um composto, que já estou fazendo aqui na minha casa para ajudar na plantação das minhas hortaliças”.

Maria Neusa Alecrim, do Assentamento Nova Esperança em São Félix do Coribe, também acompanhou todos os vídeos produzidos. “Com apoio dos técnicos, já começamos até a plantar novas áreas de bananeiras na nossa roça”.

Assistência continuada 

A assistência técnica do Bahia Produtiva, projeto executado pela SDR/CAR, com cofinanciamento do Banco Mundial, é um serviço educacional continuado, que visa promover processos de gestão, produção e beneficiamento de produtos agropecuários e não agropecuários, inclusive agroextrativista. Para a execução da ação são adotadas metodologias participativas, respeitando e aproveitando os saberes locais e experiências para formar uma proposta de intervenção adequada com a realidade das comunidades.

Fonte: Ascom/SDR