O Centro de Acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade social com diagnóstico confirmado do novo coronavírus entrou em funcionamento nesta quinta-feira (2 de abril). A unidade está instalada no prédio da antiga Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), atrás do Parque de Exposições, e tem capacidade para receber 300 pessoas. A estrutura dispõe de quartos climatizados e com beliches que comportam até 10 pessoas por dormitório. Somente podem permanecer no espaço pessoas que apresentem sintomas leves da Covid-19. 

O centro foi montado pelo Governo do Estado para receber pacientes encaminhados da rede referenciada de saúde, ou seja, das Unidades Básicas de Saúde, Upas ou hospitais. O paciente que chegar ao centro ficará em isolamento por 14 dias e, neste período, não poderá ter acompanhante, nem receber visitas; o contato com familiares será via equipe de assistência social e por telefone. O espaço possui refeitório e oferece três refeições diárias.

A enfermeira Nay Wendy, coordenadora do Centro de Acolhimento, explica que os pacientes contam com atendimento multidisciplinar. “Temos equipes formadas por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos. É importante ficar claro que as pessoas têm que querer cumprir o isolamento aqui no abrigo de campanha. Esse é um suporte do Governo do Estado para controlar a disseminação desse vírus junto à população mais carente. Lembramos que os pacientes devem estar estáveis ou com sintomas leves da Covid-19, como um resfriado ou coriza. Caso o quadro evolua, será acionado o serviço de urgência e emergência para ele seja contra-referenciado”.

Foto: Mateus Pereira/GOVBA
(Foto: Mateus Pereira/GOVBA)

Segundo a assistente social Aline Araújo, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), os pacientes passarão por uma entrevista na unidade de saúde onde forem atendidos para que seja identificada a necessidade de encaminhamento para o Centro de Acolhimento. 

“As unidades de saúde já receberam um formulário, tipo uma anamnese, para que seja feita a avaliação inicial dessa família e identificação de que é uma família em situação de vulnerabilidade. Existe uma articulação com a prefeitura de Salvador para que seja feito um acompanhamento dessas famílias através dos Centros de Referência e Assistência Social [Cras]. As pessoas que serão atendidas no Centro de Acolhimento podem ou não já estar inseridas em algum beneficio de assistência social”, afirma Aline Araújo.

Voluntariado

A coordenadora do Centro de Acolhimento faz um chamamento para a necessidade de profissionais na área de saúde que possam atuar de forma voluntária no local. As pessoas interessadas podem realizar inscrição no site www.estadovoluntario.ba.gov.br. Os profissionais inscritos passarão por um acolhimento e entrevista. De acordo com Nay Wendy, a maior necessidade neste momento é por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e técnicos de enfermagem.  

Auxílio financeiro


No último dia 16 de maio, o Governo do Estado sancionou a lei 14.264, que autoriza o Poder Executivo a destinar recursos para pagamento de auxílio financeiro em favor de indivíduos infectados com o novo coronavírus, que aceitem ser hospedados nos Centros de Acolhimento. 
Para ter acesso ao benefício de R$ 500, o paciente deverá realizar teste para confirmação do diagnóstico; assinar um Termo de Compromisso a ser entregue no momento de admissão; não possuir vínculo empregatício com carteira assinada, cuja remuneração permaneça mantida durante a pandemia; e não receber qualquer benefício previdenciário. O pagamento será feito em duas parcelas de R$ 250, pagas pelo Governo do Estado e pelo Município que for co-partícipe da medida. 
Repórter: Jairo Gonçalves