A diversidade tomou conta dos palcos e das ruas do Centro Histórico neste sábado, segundo dia de Carnaval do Pelô. Gêneros não tradicionais como o rock’n’roll se misturaram a ritmos de vários carnavais. Nas ruas, começaram os desfiles dos tradicionais bloquinhos formados por bandinhas e grupos de performances. E o Largo Pedro Archanjo destacou-se trazendo o primeiro dia de bailes infantis na folia, reunindo famílias diversas.

A programação do palco principal foi aberta pelas diversas sonoridades do Baile de Todos os Transes, espetáculo que reuniu Ava Rocha, Leo Cavalcanti e Negro Léo. Super dançante, o show teve como proposta celebrar e cantar o Brasil, refletindo sobre o seu legado cultural. “Cantamos músicas de carnavais de todos os Brasis, de todas as épocas, desde os anos 30 até os dias de hoje, celebrando o Brasil na sua diversidade, na sua força, na força do povo de evocar essa força que o Brasil tem. Essa beleza se manifesta através do carnaval de tantas maneiras, por isso todos os transes aqui na Baía de Todos os Santos”, explica o cantor Leo Cavalcanti, que diz que o projeto nasceu da vontade de realizar um projeto junto aos demais artistas envolvidos.

E tocou Raul no Carnaval do Pelô. O palco principal da folia foi invadido pelos grandes sucessos de Raulzito, com direito a clássicos como A Mosca, Sociedade Alternativa, Tente Outra Vez e Gita, além de enriquecer o repertório com canções pouco conhecidas do grande público. O projeto celebrando o eterno Maluco Beleza, que completaria 75 anos em 2020, reuniu os cantores Irmão Carlos Psicofunk, Orí e Bruna Barreto.

Irmão Carlos destacou a importância e necessidade de se ter esse pedaço da obra de Raul Seixas no Carnaval da Bahia. “Embora ele tivesse como base o rock’n’roll, entendemos que o rock’n’roll é interplanetário, é imortal, estando no universo inteiro e essa era a base de Raul Seixas, um baiano que foi um pouco mal entendido pela própria Bahia, mas bem entendido e absorvido pelo resto do país. Enquanto RaulSeixista, digo que se eu não tivesse no palco estaria na plateia, porque essa é a nossa representação para o país e para o resto do mundo”.

A noite de festa no palco principal foi encerrada por uma das principais divas do carnaval baiano, a cantora Margareth Menezes.

Outros palcos
O grande destaque da tarde foi o início dos bailes infantis no Carnaval do Pelô. Até o final do carnaval, espetáculos cheios de ludicidade prometem encantar a criançada no Largo Pedro Archanjo, sempre às 15h30. O pontapé inicial foi dado pelo grupo CadeiradeBrin, que trouxe a participação do grupo Cabriola Lúdica. Muita interação, maquiagem facial, Festa da Burrinha, Samba de Roda  e o colorido das fantasias fizeram parte do bailinho.

Também no Largo Pedro Archanjo, a noite começou com o ritmo percussivo da banda Afrosambah. Dando continuidade aos trabalhos, a Orquestra Reggae Cachoeira trouxe hits da música jamaicana num estilo sinfônico e cheio da personalidade do recôncavo baiano. O sábado de carnaval foi encerrado pelo cantor Pablo Moraes.

O Largo Tereza Batista trouxe para o carnaval o forró temperado de Zelito Miranda, mostrando que o ritmo genuinamente nordestino também tem lugar no coração dos foliões carnavalescos. Em seguida, o bastão foi passado para o reggaeman Dionorina, que tem seu trabalho marcado pela fusão de estilos, criando novos sons. Mais tarde, o largo voltou a se transformar na Praça do Frevo Elétrico, projeto de Carlos Pitta que nesse ano homenageia os 70 anos do trio elétrico, ao som de muita guitarra baiana. Por fim, Radio Bahiense, show de Tito Bahiense, revisitou os inesquecíveis carnavais dos anos 1970 e 1980, propondo uma aventura sonora e visual.

O swing e irreverência de Edd Bala iniciou a programação de sábado no Largo Quincas Berro D’Água. Por lá, também rolou baile dos antigos carnavais com a Banda Compassos e Serpentinas, muito arrocha com As Nandas, o samba de Bira Negros de Fé, e Aila Menezes apostando num repertório de pagode que não deixou o folião parado.

Festa nas ruas
Tradição preservada no Carnaval do Pelô, os desfiles das bandinhas e performances tiveram o seu primeiro dia hoje nas ruas do Centro Histórico. Com direito a bandas de fanfarra e percussão, bailarinos fantasiados de palhaços e bichos, pierrôs e colombinas, os grupos promoveram um verdadeiro baile de carnaval ao ar livre.

A Koru Cia de Dança foi um dos grupos a desfilar, apresentando coreografias e performances ao som da banda de sopro e percussão Recordar. Grupo Residente do Espaço Xisto Bahia, um Espaços Culturais administrados pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), a Koru Cia de Dança animou as ruas por onde passou alternando momentos de descontração e de coreografias como se fossem flash mobs.

Outra companhia de dança, a Cia Robson Correia desfilou com o seu projeto Folia de Erê, fazendo um grande baile infantil. Acompanhados pelo Bandão Aurora, os bailarinos fantasiados convidaram pais, mães e crianças a participarem deste baile cheio de ludicidade e brincadeiras.

Ainda desfilaram na tarde deste sábado a banda percussiva Som do Timbal e a bandinha Batida no Pelô; a performance Folia Mamulengo, com uma mostra do teatro de bonecos popular do nordeste; e a Escola de Samba Unidos de Itapuã, que apresentou o samba de enredo típico das escolas de samba do Rio de Janeiro. Os desfiles nos próximos dias de folia continuam com turnos a partir das 16h e das 19h nas ruas do Pelô.

Microtrios e nanotrios
Enquanto os microtrios contam com a força dos motores, os nanotrios dependem da propulsão humana para desfilarem, mas, quando o assunto é irreverência e criatividade musical, não há diferenças entre eles. Quem esteve no Circuito Batatinha, no Terreiro de Jesus, na tarde deste sábado (22), dançou e pulou atrás de dois nanotrios e dois microtrios, que garantiram a diversidade musical do Carnaval do Pelô levando os clássicos dos antigos Carnavais, além do samba, frevo, axé e até o tradicional forró pé-de-serra.

Com o apoio do Governo do Estado, o Rixô Elétrico foi um dos nanotrios que desfilaram neste sábado, sob o comando da guitarra baiana de Fred Menendez e Banda, fazendo uma homenagem aos 70 anos do trio elétrico. Para este Carnaval, o carrinho musical empurrado com o pedal de uma bicicleta ganhou nova roupagem, com uma pintura que lembra a antiga Fobica de Dodô e Osmar. Outro nanotrio que empolgou os foliões foi o Bike Axé, com a Banda Rasta Groove, que apresentou repertório diversificado indo desde o afoxé de Gerônimo e os frevos de Moraes, até os primeiros sucessos do axé da década de 1990.

Dentre os microtrios, a cantora Maira Lins trouxe o seu Boteco Elétrico, fazendo referência a esses “templos do samba”, os botecos, onde o samba de raiz resiste e existe. A folia ainda contou com o microtrio Rural Elétrica.

Carnaval do Pelô
Realizado pelo Governo do Estado, o Carnaval do Pelô traz cinco dias de folia para o Centro Histórico de Salvador, com atrações que contemplam os diversos ritmos e tribos. O Largo do Pelourinho será palco dos principais shows da festa, promovendo encontros musicais variados para marcar a memória de cada folião. Nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água a mistura traz axé, samba, orquestra, antigos carnavais, rap, afro, guitarra baiana, arrocha e reggae, além de bailes infantis para unir toda a família. As ruas do Pelô mantêm a tradição dos desfiles dos grupos e bandas, sempre em clima de animação e muita paz. Tudo isso torna o Pelourinho o circuito mais diversificado e democrático da folia.
Carnaval da Cultura
Fundamentado nas matrizes que construíram a nossa história, expressadas através das danças e musicalidade dos blocos afro e dos afoxés, na alegria e no gingado do samba, na força e balanço do reggae, que integram o Carnaval Ouro Negro em 2020. Com a diversidade de gerações e de ritmos que ocupam os palcos do Carnaval do Pelô, e que ainda toma conta das ruas mantendo a tradição que une os foliões no Centro Histórico. Por meio destes projetos de grande participação comunitária e popular, o Carnaval da Cultura, que integra o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, dá continuidade às políticas de preservação e democratização na maior folia do mundo, que segue colorida, diversa e com o espírito folião que contagia todo baiano.

Fonte: Ascom/ Secult