Mostrando-se ainda atuais e vivos na memória dos foliões, os antigos carnavais foram destaque no domingo no Pelô. A força do Nordeste foi celebrada e grandes compositores receberam homenagens. Além de shows em quatro palcos diferentes, a festa também seguiu intensa nas ruas do Centro Histórico.

O palco principal, no Largo do Pelourinho, iniciou programação com o show Pelô Nordeste, que uniu o passado à modernidade, com cultura e atualidade. Janaina Carvalho, Lala Carvalho e Pedro de Rosa Morais se reuniram para cerca de duas horas de um repertório que destacou sucessos musicais relacionados aos estados do Nordeste e a ilustres compositores nordestinos. Janaina Carvalho ressaltou que o show trouxe para o palco a riqueza imensa que é a cultura nordestina. “Estou muito feliz em participar do Carnaval 2020. No repertório, apresentamos maracatu, frevo, galope, samba baiano, frevo baiano e samba reggae. Cenicamente, trouxemos também figurinos e brincadeiras inspiradas nos repentistas. Tivemos ainda a coreografia de dois dançarinos para fazer essa festa”, ressaltou.
Pelô Nordeste
Show Pelô Nordeste (Foto: Elói Corrêa/GOVBA)

Em seguida, foi a vez de Juliana Ribeiro, Peu Meurray e Morotó Slim cantarem a história dos carnavais, com o show De Chiquinha a Moraes. A iniciativa levou para o Carnaval do Pelô desde as marchas carnavalescas e sambas-enredos até a alegria contagiante da guitarra baiana e a revolução que foi o samba-reggae, clave baiana que movimentou as festas de largo e o carnaval do Brasil. Encerrando a programação mostrando como este palco pode ser diverso, a última apresentação da noite foi a do rockeiro Márcio Mello.

Outros palcos
Mais uma tarde de irreverência e brincadeiras tomou conta do Largo Pedro Archanjo, com o baile infantil comandado pelo Grupo Pé de Lata, que trouxe uma apresentação lúdica e encantadora para crianças e adultos. À noite, a Orquestra Sérgio Benutti, já tradicional na folia, promoveu um belo baile no estilo dos antigos carnavais, não faltaram marchinhas e grandes sucessos da maior festa do mundo. Em seguida, o grupo Los Candelas trouxe o seu axé com base percussiva, englobando clássicos do gênero. A programação foi encerrada pelo cantor Lucas Melo.

No Largo Tereza Batista, a tarde foi agitada pelo cantor Gabriel Augusto e pela banda #Colecomigo. Mais tarde, o reggae balançou o espaço, ao som de Prince Áddamo. Após a realização do último dia do projeto A Praça do Frevo Elétrico, com Carlos Pita, o ritmo jamaicano voltaria ao palco mais uma vez, com o cantor MAVI, de Santo Antônio de Jesus para o Carnaval do Pelô. Encerrando os shows da noite, aconteceu o show de Afro Jhow.

O Largo Quincas Berro D’Água abriu os trabalhos em ritmo de forró, com Gereba e Capitão Corisco. Já a noite foi aberta pelo grupo da modalidade afro, Performáticos Quilombo. A programação ainda contou com a sofrência, ao som da cantora de arrocha Jane Cordeiro, e com o samba do Vai Kem Ké, grupo que vem se destacando nas festas da capital baiana.

Ruas do Pelô
O tradicional carnaval de rua do Pelô segue firme e forte. Desfilaram durante a tarde os grupos Escola de Samba Unidos de Itapuã, Banda Percussiva Pérola Negra, Banda Afrodescendentes, Folia Mamulengo, Batida no Pelô, Koru Cia de Dança e Folia de Erê. À noite, saíram Bandão do Farias, Cia de Danças e Folguedos, Turma do Bassa, Filó Brincante, Orquestra Os Franciscanos e Bandinha Folia de Momo.

Também se destacou pelas ruas o nanotrio do Coletivo Di Tambor, grupo liderado por Mamah Soares que busca reverencias as matrizes musicais afro-brasileiras. E o microtrio Los Cuatro também empolgou e divertiu o folião pipoca.

Carnaval do Pelô
Realizado pelo Governo do Estado, o Carnaval do Pelô traz cinco dias de folia para o Centro Histórico de Salvador, com atrações que contemplam os diversos ritmos e tribos. O Largo do Pelourinho será palco dos principais shows da festa, promovendo encontros musicais variados para marcar a memória de cada folião. Nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água a mistura traz axé, samba, orquestra, antigos carnavais, rap, afro, guitarra baiana, arrocha e reggae, além de bailes infantis para unir toda a família. As ruas do Pelô mantêm a tradição dos desfiles dos grupos e bandas, sempre em clima de animação e muita paz. Tudo isso torna o Pelourinho o circuito mais diversificado e democrático da folia.
Carnaval da Cultura
Fundamentado nas matrizes que construíram a nossa história, expressadas através das danças e musicalidade dos blocos afro e dos afoxés, na alegria e no gingado do samba, na força e balanço do reggae, que integram o Carnaval Ouro Negro em 2020. Com a diversidade de gerações e de ritmos que ocupam os palcos do Carnaval do Pelô, e que ainda toma conta das ruas mantendo a tradição que une os foliões no Centro Histórico. Por meio destes projetos de grande participação comunitária e popular, o Carnaval da Cultura, que integra o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, dá continuidade às políticas de preservação e democratização na maior folia do mundo, que segue colorida, diversa e com o espírito folião que contagia todo baiano.

Fonte: Ascom/ Secult