O Carnaval chamou e toda a gente veio pro Pelô, que realizou a abertura oficial da folia nesta sexta-feira (21), com o início da programação no palco principal, no Largo do Pelourinho. Promovido pelo Governo do Estado e integrando o Carnaval da Cultura, o Carnaval do Pelô vem com cinco dias de programação e mais de cem atrações divididas em quatro palcos e nas ruas do Centro Histórico.

Formada por Armandinho, Betinho, Aroldo e André Macêdo, a Banda Armandinho, Dodô e Osmar foi destaque desta primeira noite com o show em comemoração aos 70 anos do trio elétrico, marco que é destacado pelo tema do Carnaval da Bahia em 2020. Os irmãos são herdeiros de Osmar, responsável, junto ao seu parceiro Dodô, pela invenção que revolucionou o carnaval baiano e conquistou o mundo.

Para a secretária estadual de Cultura, Arany Santana, "homenagear e ter a banda Armandinho, Dodô e Osmar abrindo a folia no Pelô é reconhecer que o Carnaval era um antes do trio e passou a ser outro depois. Inclusive, hoje teremos a participação de uma banda formada por aprendizes da guitarra baiana, que vão perpetuar essa maravilha da música", destacou. O show foi repleto de grandes sucessos que fizeram história no carnaval, levantando os milhares de foliões presentes no Largo do Pelourinho.

A noite no palco principal continuou em ritmo de sucesso, afinal, quem deu seguimento à festa foi outra figura icônica do nosso carnaval, o grande Moraes Moreira, trazendo diversos clássicos da axé music. O encerramento da noite ficou por conta de Tatau, figura que também é parte da história do carnaval, desde sua atuação à frente da banda Araketu até a sua carreira solo.

Microtrios
No ritmo de comemoração pelos 70 anos do trio elétrico, os microtrios também embalaram o primeiro dia de Carnaval do Pelô. Os foliões que foram ao Terreiro de Jesus dançaram e se misturaram às cores, sons e alegria do TukTuk Sonoro & Sylvia Patricia, e do microtrio da Banda Marana.

Luciene Santos Pessoa,46, esteve no circuito acompanhada do marido, Edvaldo Pessoa, 59, que tem deficiência visual. Eles saíram do bairro de Pernambués para desfrutar dos encantos e tranquilidade do Circuito Batatinha. “Gosto do Carnaval do Pelourinho porque é diferente e tradicional”. Já Edvaldo confessa que vem atraído pelo som das bandinhas. “Aqui tem muita tranquilidade. Esse é o primeiro carnaval que participo, sem enxergar, devido a um tumor, mas mesmo sem a visão, não perdi a alegria nem a vontade de sentir o carnaval”.

Chico Gomes, da Banda Marana, lembra que os irmãos Macêdo na década de 70 fizeram carnavais memoráveis, símbolos da contracultura. “São artistas que, como nós, tocam sem cordas até hoje. A homenagem a esse carnaval vem dessa mística, por isso que os chamamos de tribo mística, e a nossa tenda mística está fazendo reverência a eles, agora em 2020, quando celebramos os 70 anos do trio, o Setentrio”.

Outros sons
A diversidade de ritmos tomou conta dos demais palcos do Carnaval do Pelô. O Largo Pedro Archanjo começou com um verdadeiro baile no estilo dos antigos carnavais, promovido pela Orquestra Compassos. Foi o primeiro de uma série de concertos de diferentes orquestras que tocarão no mesmo espaço até a terça-feira. Nesta noite, também realizaram shows no espaço Jorge Zarath e Amy Reggaehouse.

O Largo Tereza Batista abriu programação com Ital Crew, Val Macambira e Banda Mula Ruge, Nilson Aquino e Cavalo Marinho. Em seguida, o largo se transformou na Praça do Frevo Elétrico, também em clima de homenagens aos 70 anos do trio elétrico. Quem comandou a festa foi Carlos Pita. Para fechar com chave de ouro, uma das principais vozes da Bahia, Márcia Short, trouxe um show repleto de sucessos.

Dão levou sua Caravana Black para dar o pontapé inicial da programação no Largo Quincas Berro D’Água. Após o cantor, o ritmo afro continuou em evidência, desta vez com a voz de Nadjane Souza. E o samba também teve seu espaço, representado pela força e talento de Clécia Queiroz. A noite terminou em ritmo de sofrência, com a cantora Jeane Lima.

Fonte: Ascom/Secult