Levar oficinas artísticas, espetáculos e apresentações musicais para os internos do Complexo Penitenciário da Mata Escura é o que pretende o Novembro das Artes Negras, resultado de parceria entre a Secretaria Estadual da Administração Penitenciária (Seap) e a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). A terceira edição do projeto foi iniciada na segunda-feira (18) e segue até sexta (22), na Penitenciária Lemos Brito (PLB), Conjunto Penal Feminino, Cadeia Pública de Salvador, Colônia Penal Lafayete Coutinho e Unidade Especial Disciplinar.

Segundo o superintendente de Ressocialização Sustentável da Seap, Luiz Antônio Fonseca, o projeto deve envolver 1.400 internos, neste ano. “Ações como essa no ambiente carcerário são de grande relevância. A gente sabe o que é o processo do confinamento e os presos estão vendo esse evento como uma oportunidade de viver uma nova realidade quando saírem daqui", destacou.

Mão na massa

Realizada na manhã desta terça-feira (19), a oficina Narrativas Visuais contou com a participação dos detentos do Módulo I da PLB, que puderam manusear uma série de materiais, a exemplo de sprays, rolos de tinta e fotolitos. Um destes internos é  J. O., de 33 anos, que já está no local há seis anos. "Um evento como esse liberta a nossa mente, pois é muito bom poder aprender coisas novas. Eu fiz dois painéis que representam o que eu quero quando ficar livre, que é ser uma pessoa melhor lá fora", contou emocionado.

O grafiteiro Diego Sei é o facilitador da oficina e lembra que o trabalho dos participantes vai ficar pintado nas paredes da unidade. "A arte é uma ferramenta de ocupação da mente de forma saudável. Vários presos me relataram que estão curtindo muito a oficina, pois no tempo que estão aqui não estão pensando nos problemas que já enfrentaram, no tempo que falta para sair", contou.

Já no Conjunto Penal Feminino, as presas transformaram a oficina de dança em uma verdadeira festa. A interna N. M., de 37 anos, também ressaltou o evento como uma maneira de deixar de lado os problemas que a afligem. "É uma atividade muito legal, que alegra a todas nós aqui nesse lugar. A gente aprende as coreografias, mas também inventa. É muito divertido mesmo", garantiu.

De acordo com a coordenadora de Dança da Funceb, Janahina Cavalcante, a parceria entre a Fundação e a Seap é um marco. "É uma ação superimportante para esses corpos que estão enclausurados, mas que, ao participar dessas atividades, podem se sentir livres metaforicamente falando. Toda e qualquer ação voltada para a arte é de uma significação enorme", reforçou.

Entre a série de atividades previstas para toda a semana está a apresentação do Espetáculo Na Rédea Curta, protagonizada pelos personagens Mainha e Júnior, além do show de uma Camerata da Orquestra Sinfônica da Bahia.

Repórter: Renata Preza