Após três dias de intensas e emocionantes provas, onde superação, força, solidariedade e técnica foram as palavras de ordem, a 13ª edição das Paralimpíadas Escolares chegou ao final nesta sexta-feira, 22. Os atletas baianos mostraram força e determinação, conquistando para o estado um total de oito medalhas: três de prata e cinco de bronze.

A nadadora Bárbara Britto, de 12 anos e do município de Jequié, esteve no pódium por três vezes, sendo a atleta baiana que conquistou maior número de medalhas: uma de prata e duas de bronze. “Esta é a minha primeira grande competição paralímpica. Desde julho, venho treinando forte para conseguir bons resultados nessa competição e noutras que virão. Estou contente com o saldo final”, conta.

Acompanhada durante toda a competição pela avó Maria Solange Oliveira, Bárbara contou ainda com a torcida especial do pai, irmão e primos que residem em São Paulo, que foram ao moderno Centro de Treinamento Paralímpico acompanhar, na quarta-feira, 20, a prova de 50 metros costa, quando Bárbara conquistou a primeira medalha de bronze da temporada. As outras duas medalhas vieram no último dia da competição, sendo um bronze na prova de 50 metros livre e a prata  na prova 50 metros crawl. 

Ainda nas modalidades individuais que a Bahia teve representação, destaque  também para o judoca Gabriel Santos Souza, 16 anos, que conquistou duas medalhas de prata. Também de Jequié e participando pela primeira vez de uma etapa nacional das Paralimpíadas Escolares, o jovem Gabriel, mesmo com toda timidez característica do seu perfil, não disfarçou a alegria pela conquista.

“Na minha primeira luta, eu estava um pouco nervoso e acabei perdendo para um atleta de São Paulo. Mas depois, me senti bem mais confiante e lutei melhor. Estou muito feliz”, disse o judoca, que conquistou a primeira medalha derrotando um atleta do Maranhão (categoria médio ligeiro -81kg) e a segunda tendo como adversário um atleta paulista (categoria absoluto).

Gabriel, que é aluno do curso técnico de Meio Ambiente do Colégio Estadual de Jequié, conta que começou a praticar judô há cinco anos. Órfão de mãe e com deficiência visual, ele revela que os principais incentivadores para sua prática esportiva são sua avó e tio materno, com quem ele mora “Inclusive, eles foram os principais responsáveis para eu estar aqui, pois quando garanti minha vaga para a etapa nacional, não me sentia muito seguro, mas eles me deram confiança e aí resolvi vir”, conta o judoca, que iniciou sua vida nos tatames por meio de projeto social da cidade de Jequié.

Atletismo –  Sob forte calor, os garotos Antônio Júnior, Wesley Santana e Filipe Cruz disputaram medalhas nas provas de atletismo do último dia da competição. Júnior, que tem síndrome de down (esta é a primeira vez que atletas com essa deficiência participam das Paralimpíadas Escolares)  conquistou medalha de bronze nos 400 metros e Filipe Cruz, que tem déficit intelectual, faturou o bronze na prova de 150 metros.

Goalball – As meninas baianas do goalball – Juliane Santos, Bruna Santos, Renata Vitória e Ester Pinheiro – também fizeram bonito em São Paulo, conquistando medalha de bronze. Determinadas e focadas no podium, elas derrotaram por 15 a 5 a equipe de Minas Gerais, contra a qual já haviam ganhado por 23 a 20 na fase classificatória. 

Conhecer o time adversário aumentou a confiança do time do Instituto de Cegos da Bahia (ICB)  para trazer na bagagem a medalha de bronze para a Bahia. Ainda faltavam mais de cinco minutos para o final do segundo tempo (partida de goalball é dividida em dois períodos de dez minutos, com um intervalo de três minutos), quando o apito eletrônico que indica o fim da partida soou, pois as meninas baianas abriram uma vantagem de dez gols sobre as adversárias – pela regra da modalidade, o jogo pode ser finalizado antes dos 20 minutos regulamentares caso o placar marque dez gols de diferença.

Ainda na equipe feminina baiana de goalball, a atleta Juliane dos Santos, com um total de 23 gols nas quatro partidas que disputou, foi eleita vice-artilheria da 13ª edição das Paralimpíadas – a  artilheira  feminina dessa modalidade foi a atleta Sinara,  de Santa Catarina, com 26 gols e equipe campeã deste ano.

Maior edição –  As Paralimpíadas Escolares/2019, iniciadas na noite de terça-feira (19), tiveram a participação de 1.220 atletas de todo o Brasil com disputa em 12 modalidades esportivas  – além das quatro já citadas acima, houve provas de basquete 3×3 em cadeira de rodas, bocha, futebol de 5 (para cegos), futebol de 7 para paralisados cerebrais, parabadminton, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas e vôlei sentado.

Organizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, a competição foi classificada como a maior desde sua criação, em 2009. É também considerado como o maior evento mundial para crianças e jovens com deficiência em idade escolar

Toda a delegação baiana que viajou a São Paulo – 15 atletas, técnicos, dirigentes e mães que acompanham os meninos e meninas – viaja com passagens aéreas e uniformes oficiais cedidos pelo Governo da Bahia, por meio da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), autarquia da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, tendo o apoio da Secretaria de Educação e da Federação Baiana de Esporte Escolar (Fbee).

Quadro de medalhas:

Natação

BÁRBARA BRITTO (Jequié)  – 02 bronze + 01 prata

Provas 50 M costae 50 M crawl

Judô

GABRIEL SOUZA (Jequié) – 02 pratas

Provas médio ligeiro (até 81kg) e absoluto

 Atletismo

ANTÔNIO JÚNIOR (Vera Cruz/Ilha de Itparica) – 01 bronze

Prova 400m

FILIPE SANTOS (Salvador) – 01 bronze

Prova 200m

Goalball Feminino

01 bronze

Equipe ICB-Bahia: JULIANE JESUS DOS SANTOS (vice-artilheira da competição, com 23 gols), BRUNA SANTOS, RENATA VITÓRIA E ESTER PINHEIRO
Fonte: Ascom/Sudesb