Mulheres que trafegam nas bordas da literatura tradicional, por escritas que acionam heroínas negras da história do Brasil, afetividades monoraciais e não-heterossexuais. Jarid Arraes (CE), Ryane Leão (MT), Lívia Natália (BA) e Amara Moira (SP) são algumas destas, que complexificam o debate contemporâneo sobre literatura, e estarão nas mesas do dia 14 de novembro, no Festival Literário Nacional (Flin): Diversas Leituras & Novos Caminhos, evento realizado pelo Governo do Estado.

Pela manhã, na mesa “Intervenções femininas: o meu lugar nas periferias do mundo”, Jarid Arraes (CE) e Paloma Franca Amorim (PA) levam referências de escritoras jovens do Norte-Nordeste e dinâmicas do mercado editorial na integração de escritores dissidentes. À tarde, a mesa “Linhas de afeto na zona de batalha zeferina”; com as autoras Lívia Natália (BA) e Ryane Leão (MT), fala de poesia negra e afetividade.

A autora e professora, Lívia Natália, conta que o primeiro romance brasileiro foi escrito por uma mulher negra, a Maria Firmina, e que em toda tradição literária mulheres negras seguiram escrevendo. “Nós estamos na contemporaneidade seguindo a herança deixada para nós pelas mais velhas. Somos as vozes que ecoam as suas palavras, atualizando o que é ser mulher negra em um contexto político, social e cultural que não reconhece a nossa humanidade”.

À noite, a esfera da sexualidade aparece como impulso criativo e remodelador do que se tem por literatura erótica, com o tema “Fronteiras do corpo, reconfigurações da alma”, com Amara Moira (SP), transfeminista, doutora em Crítica Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autora do livro Se eu Fosse Puta, e Regina Navarro Lins (SP/BA), psicóloga, autora em sexualidade e colaboradora do programa Amor e Sexo, da Rede Globo. As escritoras falam do interesse geral do público quando o assunto é sexo e como ele pode ser mais diverso em termos de gênero e sexualidade.

O campo da literatura contemporânea, ainda que mais aberto e em expansão, coloca muitos desafios às mulheres. Na Academia Brasileira de Letras, por exemplo, dos 40 membros, apenas cinco são mulheres, nenhuma delas negra. A passos lentos, elas vêm conquistando espaços literários, menções e homenagens em festas literárias. No Flin, as mulheres são mais de 50% da programação.

Confira aqui a programação completa

Flin é abreviação do Festival Nacional Literário (Flin): Diversas Leituras & Novos Caminhos – projeto realizado pelo Governo do Estado da Bahia e coordenado pela Secretaria de Cultura (Secult), através da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA). O Festival conta com a parceria das secretarias de Administração (Saeb), através da Superintendência de Atendimento ao Cidadão (SAC); de Comunicação (Secom); de Educação (SEC); de Meio Ambiente (Sema); de Saúde (Sesab), através da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia (Hemoba); de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), através do Serviço de Intermediação para o Trabalho (Sinebahia) e da Superintendência  dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb); de Políticas para as Mulheres (SPM); de Promoção da Igualdade Social (Sepromi); de Tecnologia e Ciência (Secti); de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), através da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) e de Turismo (Setur), através da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Bahiatursa), além da Defensoria Pública do Estado da Bahia; da Empresa Gráfica da Bahia (EGBA); do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).