O destaque na programação da Fundação Pedro Calmon, unidade vinculada à Secult, no segundo dia da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) foi a roda de conversa com as pesquisadoras Luciano Brito e Isabel Cristina Reis, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, sobre a obra da jornalista Eliana Alves Cruz, em especial o livro Água de Barrela, que conta a saga da família da autora desde a sua origem, na África, até as relações constituídas no Brasil do século XIX.

A escritora também participou do bate-papo, que reuniu estudantes e interessados no tema e obra de Eliana. A atividade ocorreu na Sala Gaiaku Luiza, no Espaço Educar Para Transformar – Fundação Hansen Bahia. O local concentra ações e serviços das secretarias estaduais durante os dias da festa no recôncavo baiano.

Memórias relacionadas à história da população negra no Brasil, em especial as feridas não cicatrizadas da escravidão, permearam a conversa, que ainda dialogou sobre métodos e ferramentas de pesquisa da história afrobrasileira. Isabel não pôde deixar de destacar a importância do Arquivo Público do Estado da Bahia, administrado pela FPC/Secult, para a pesquisa principalmente acadêmica. Durante anos mergulhada na documentação preservada pela APEB, a pesquisadora encontrou periódicos, arquivos jurídicos e uma enorme diversidade de documentos. “Foi uma experiência fundamental para estudar o contexto do negro na escravidão. Muitos destes documentos nos mostram o protagonismo do negro na luta contra a escravidão”, disse.

A escritora Eliana Alves Cruz, que ontem participou da mesa de abertura da Flica, Cartografias do Brasil Contemporâneo, também destacou no bate-papo desta manhã a importância do processo de pesquisa no seu trabalho literário. Mas, além de também ter tido acesso a diversos documentos históricos que foram fundamentais, por meio do Arquivo Público de Cachoeira, bebeu bastante da fonte de conhecimento dos seus ancestrais, ouvindo relatos de membros mais antigos da sua família, como sua tia avó, Dona Nunu, na época com 91 anos, que deu um toque mais pessoal e emotivo para a sua obra. “Às vezes o arquivo está dentro da nossa casa. As referências são importantes, mas as pessoas trazem em si a memória dos fatos e sentimentos que aqueles acontecimentos geraram”, explica a autora, que busca em sua obra apontar para o futuro e provocar questionamento.

Flica

A Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) movimenta o recôncavo baiano de 24 a 27 de outubro. Maior evento literário da Bahia, tem o patrocínio do Governo do Estado, através do Fazcultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia, com realização da Cali e iContent. Além de patrocinar o evento, que tem mesas literárias com grandes autores e espaços como Fliquinha e Geração Flica, o Governo do Estado mantém o espaço Educar para Transformar, na casa da Fundação Hansen. A programação de diversas secretarias estaduais conta com sarau literomusical e apresentações dos projetos de arte e cu ltura desenvolvidos pelos estudantes nas áreas da poesia, literatura, música e dança.

Fonte: Ascom/ Secult