O Coletivo Pé de Poeta, de Itinga, em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador, foi convidado pela companhia internacional Théâtre de L’Opprimé, instituição social vinculada ao Ministério da Cultura da França, em Paris, para apresentar o espetáculo África em Nós no Festival MigrActions 2019. Apesar do convite, o grupo composto por dez jovens negros não dispõe de recursos, e, por isso, criou um financiamento coletivo para arrecadar dinheiro para passagens, hospedagens e alimentação do elenco.
Cinco dos dez jovens do Coletivo Pé de Poeta participaram das atividades de arte-educação do Programa Corra pro Abraço, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado (SJDHDS), nos anos de 2017 e 2018. Para Trícia Calmon, cientista social e coordenadora geral da iniciativa, o reconhecimento do trabalho do coletivo é fundamenta. "O reconhecimento comprova que a arte educa e dá oportunidades. Esses meninos e meninas são sobreviventes. Nós, do Corra pro Abraço, acreditamos que a arte é importante para manter esses jovens e desenvolver seus talentos”, destacou.

“O Coletivo é formado por pessoas da periferia. Ou seja, quase que totalmente com ausência de recursos materiais. Os ensaios dos jovens são em uma praça e não há apoios financeiros”, conta Armindo Rodrigues Pinto, fundador e diretor teatral do grupo que traz em seu processo de criação a discussão sobre os corpos negros e memórias ancestrais. “A proposta principal deste intercâmbio é possibilitar momentos de saberes, laboratórios e apresentação teatral destes jovens entre 23 de junho e 1º de julho”, complementa o paulistano, que é formado em licenciatura e mora em Lauro de Freitas há três anos.

Fonte: Ascom/Corra pro Abraço