O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, na próxima segunda-feira (21), será marcado por diversas mobilizações na Região Metropolitana de Salvador (RMS). As atividades ocorrem em meio a crescentes casos de invasão e depredação de espaços e monumentos sagrados das religiões de matriz africana, a exemplo do busto de Mãe Gilda de Ogum (Itapuã), Pedra de Xangô (Cajazeiras 10) e Casa do Mensageiro (Barra de Pojuca).  
Os atos começam nas primeiras horas do dia, com um ato em memória de Mãe Gilda, às 8h, no Parque Metropolitano do Abaeté, em homenagem à líder religiosa que faleceu no ano de 2000 após ter sofrido violência e ódio religioso. Ainda pela manhã, às 10h, será realizado um abraço coletivo na Pedra de Xangô, localizada na Avenida Assis Valente, no bairro Cajazeiras 10.
Já a partir das 15h, em Barra de Pojuca, no município de Camaçari, um ato em desagravo à Casa do Mensageiro (Ilê Axé Ojisé Olodumare), invadida por homens armados no último sábado (12). Os criminosos roubaram diversos pertences dos religiosos que participavam da cerimônia, também agindo com violência física e insultos às religiões de matriz africana. 
Desde a implantação do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, em 2013, 157 casos de violação de direitos no campo religioso foram registrados. Os dados são acompanhados e remetidos ao conjunto de instituições que integram a Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa da Bahia.
A data 
O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituído em 2007, tendo o caso de Mãe Gilda como um dos mais emblemáticos na luta contra o racismo e o ódio religioso no país. Após ter a imagem maculada e o terreiro (Ilê Axé Abassá de Ogum, em Salvador) invadido e depredado por representantes de outra religião, a sacerdotisa teve agravamentos de problemas de saúde e faleceu em 21 de janeiro de 2000. 
Políticas públicas 
Na Bahia, entre políticas públicas na área está o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, serviço de atendimento gratuito, em funcionamento na Avenida Manoel Dias da Silva, 2.177, no bairro da Pituba, em Salvador. Vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), o equipamento oferece apoio social e jurídico a vítimas, desde dezembro de 2013. Além do atendimento, o público pode acessar uma biblioteca especializada em nos temas voltados às relações étnico-raciais. 
Unidade Móvel 
A Bahia dispõe ainda da Unidade Móvel do Centro Nelson Mandela, serviço que tem ampliado a atenção aos casos. No equipamento são disponibilizados informações, atendimento preventivo e acolhimento de denúncias de violação de direitos nas esferas racial e religiosa. Ao longo do ano, o serviço é oferecido em festas populares e eventos dos diversos territórios de identidade da Bahia.

Fonte: Ascom/Sepromi