O trabalho realizado pelos investigadores da Coordenação de Operações Especiais (COE) da Polícia Civil da Bahia tem o apoio de dez cães farejadores. Os animais são treinados para atuar na busca por drogas e explosivos. No canil da COE, em Salvador, os cães participam de treinamento diário para desenvolver as habilidades necessárias para o trabalho. A COE é dividida em esquadrão antibomba, intervenções táticas e atiradores de elite. O grupo presta apoio às unidades da Polícia Civil e forças federais, como a Polícia Federal. 
O coordenador do canil da COE, o investigador Luís Fernando Bastos, explica que a fase de treinamento dura cerca de um ano e meio e os animais precisam ter características como boa caça, persistência e possessividade, que se manifesta pela espera de uma recompensa pelo trabalho. “Os cães precisam ter o instinto de caça apurado e por trabalharmos em áreas com grande movimentação de pessoas, eles precisam ser animais dóceis. A gente faz um trabalho de socialização com os animais para que não tenham comportamento agressivo. Para nós, a questão da raça não é importante, o que vale são as características que citei”, esclarece. 
Dentre os animais que estão no canil da COE, quatro deles participam das operações, sendo dois considerados estagiários. Os demais cães estão em fase de treinamento. Os animais são da raça cocker spaniel, pastor alemão, pastor malinois e labrador. Ainda segundo o investigador Bastos, os animais são treinados em ambientes internos e externos, além de subir e descer, andar em piso liso, habituados a ouvirem os mais diversos tipos de ruídos. Todos os cuidados são adotados para que os animais tenham segurança para trabalhar em uma operação real. 
Os cães farejadores começaram a ser utilizados pela COE na Bahia em 2004 e dois anos depois, o grupo realizou o primeiro curso de formação de policiais para uso de cães guias. Entre os animais que estão na COE, alguns ganham destaque, como é o caso do cocker spaniel de quatro anos, batizado de ‘Funck’. O animal participou de uma operação realizada no Porto de Salvador, em junho deste ano, que resultou na apreensão de 1,5 tonelada de cocaína que estava escondida em um contêiner. A apreensão é considerada umas das maiores da região Nordeste. 
A idade média para que os cães comecem a participar das operações é de 1 ano e 2 meses e eles podem trabalhar até os 8 anos. Para este trabalho com cães farejadores, o investigador Marcos Melo afirma que é necessário gostar dos animais. “É necessário ter o sentimento do gostar porque querendo ou não, ele passa a ter um vínculo incondicional com o animal. Essa dedicação prestada ao animal fará com que ele reconheça esse sentimento e possa se construir um binômio de confiança, participação e interação entre homem e cão”, revela.