O vermelho predominou entre o colorido dos casarões do Largo do Pelourinho nesta terça-feira (4). Os devotos de Santa Bárbara, Iansã ou Oyá compartilharam com alegria e fé o altar montado em frente à Casa de Jorge Amado. Missa e afoxé se misturaram na cerimônia, que marca também a abertura do ciclo de festas populares da Bahia. Em seguida, a imagem de Santa Bárbara foi levada em procissão até o Quartel do Corpo de Bombeiros, na Barroquinha, onde o carro-bomba ‘Vovó’, de 1912, deu um banho de água de cheiro nos fiéis, antes de ser servido o tradicional caruru.
“Santa Bárbara é a padroeira do Corpo de Bombeiros. Isso vem do fato de que Santa Bárbara perdeu a vida salvando as pessoas. Essa nossa tradição vem de muitos anos, com o tempo foi se perdendo e, com a autonomia do Corpo de Bombeiros, nós a estamos resgatando com muita força desde 2015. Santa Bárbara está presente aqui conosco”, destacou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros da Bahia, coronel Francisco Telles.
De acordo com o prior da Irmandade dos Homens Pretos, Adonai Ribeiro, a Festa de Santa Bárbara é realizada "desde o século 17 e já faz parte da tradição da Bahia. A igreja era no Comércio e pegou fogo. Então, a festa foi transferida para o mercado, na Baixa do Sapateiros. Quando o mercado começou a cair em decadência, os proprietários, em 1985, doaram a imagem à Igreja do Rosário. De lá para cá, todos os anos, nós celebramos a festa da nossa gloriosa Santa Bárbara”. 
Foto: Paula Fróes/GOVBA
Os devotos compartilharam com alegria e fé o altar montado em frente à Casa de Jorge Amado.
(Foto: Paula Fróes/GOVBA)
Para a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, a Festa de Santa Bárbara representa "uma mensagem de paz e de esperança, de respeito e de tolerância religiosa. É um dia que os baianos estabeleceram no seu calendário para fazer a sua celebração. Muita gente de vermelho e branco em nome do direito pela livre expressão religiosa. Salve Santa Bárbara. Salve Iansã”. 
Devotos
Entre os devotos, histórias de vida como a de Djanira Lopes e a filha Jaqueline Bárbara, que completou 40 anos nesta terça (4). “Eu nasci no dia de Santa Bárbara. Então, eu tenho que saudar minha rainha todos os anos”, afirmou Jaqueline. Djanira revelou que a tradição veio da mãe. “É um sentimento muito grande, de raiz, um sentimento puro. É importante ir passando essa tradição, entre quem é devoto de verdade”. 
A devota Maria Cristina Borges distribui o acará, ou o bolinho do acarajé, há mais de 15 anos nas festas de Santa Bárbara. “O acará é um dos alimentos de Oyá. Nós o distribuímos para trazer fartura para todos e, principalmente, como um gesto de gratidão por tudo o que ela representa. Eu sou filha de Oyá. Ela é o ar que eu respiro, a rainha da minha vida. Eparrê, Oyá”, disse. 
A Festa de Santa Bárbara tem importância também para o turismo religioso. O auditor Flávio Garrido é de Santos (SP) e participou pela pela quarta vez da celebração. Somente no grupo dele, são 12 pessoas vindas do interior paulista. “Nós somos todos umbandistas da Tenda do Oriente, lá de São Paulo, todos devotos de Santa Bárbara. A gente procura sempre formar esse grupo para que as pessoas conheçam esta verdadeira demonstração de fé, juntamente com Iansã, que é nossa mãe. Por isso, procuramos trazer mais pessoas a cada ano, para conhecerem esse axé”. 
Repórter: Raul Rodrigues