Diagnosticados com síndrome de Guillain-Barré, os pacientes Gabriel Reis, 26 anos, e Yuri Martins, 29, se uniram para vencer as complicadas fases da doença. No encontro, promovido pela equipe de enfermagem das unidades de terapia intensiva do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), os sinais de evolução já foram percebidos. Hoje, ambos de alta, se preparam para retomar à rotina de onde pararam. 
Gabriel foi o primeiro a ir embora para casa, após quase quatro meses de internação. Mas, ao saber da condição de Yuri, fez questão de voltar ao hospital para visitá-lo. O comerciante – que já havia ministrado palestra para um auditório lotado, a convite dos profissionais do HGRS – sabia bem o que precisava ser dito. 
“Como ninguém, nessa fase, consegue formar palavras na prancha de letras, falei sobre a importância de não tirar ela de perto, pois ela é a nossa voz. Ensinei Yuri a estalar a língua quando quisesse chamar a equipe e aproveitei para perguntar o que ele gostaria de saber. Conversamos na medida do possível. Não só tinha certeza de que ele ia gostar muito, como vi que fez muito bem. Ele começou a mexer o braço, começou a sentar e ficar fora do ventilador”, detalha Gabriel. 
Ele lembra que, ao chegar ao leito de Yuri, soube que o paciente estava desanimado, sem acreditar na recuperação. “Nosso encontro foi muito legal. Falaram que a pressão dele estava alta e, quando cheguei, ficou tranquilo”. De acordo com Gabriel, que passou a relatar sua história nas redes sociais, esse tipo de iniciativa traz motivação. “Falo por experiência própria, pois, quando conheci um caso da síndrome, fiquei muito motivado. Houve um momento em que esqueci que não andava e tentei até levantar da cama”, afirma. 
Gabriel tinha razão. Em menos de uma semana, Yuri – que é coordenador da Secretaria de Assistência Social de Alagoinhas – recebeu alta hospitalar, após 41 dias de internação. “Esse encontro foi surpreendente, tanto para Yuri como para nós, familiares. A resposta dele foi imediata. Pouco depois, ele começou a falar e disse que valeu muito a pena”, comemora a prima Manuela Santos. 
Manuela acrescenta que “não imaginava que o Hospital Roberto Santos tivesse um atendimento tão humanizado, que ajudasse tanto o paciente. Sou enfermeira e fico feliz por saber que isso acontece na área pública”. 
Síndrome de Guillain-Barré 
A Guillain-Barré – conforme explica o médico coordenador de neurologia do Hospital Geral Roberto Santos, Pedro Pereira – é uma síndrome imunológica, que ocorre quando há produção de anticorpos do indivíduo contra ele mesmo, especificamente contra os nervos periféricos. 
“Apesar de não sabermos a causa efetiva, temos alguns fatores desencadeantes. Entre eles, estão as infecções. Existe uma bactéria que faz parte do tubo gastrointestinal e que também pode desencadear a síndrome de Guillain-Barré. Por isso, pode acontecer após uma diarreia. Em alguns casos, pode ser provocada após vacina”, explica. 

Fonte: Ascom/HGRS