Foi assinado, nesta quinta-feira (29), o convênio entre a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e o movimento do Slow Food, para o fortalecimento dos trabalhos com as cooperativas e agroindústrias baianas, ligando o produtor ao consumidor, para valorização da sociobiodiversidade e da cultura alimentar da Bahia.

Nessa parceria, no primeiro ano, serão identificadas comunidades e novos produtos, realizando intercâmbios entre as cadeias produtivas que envolvem a agricultura familiar, e renomados chefs de cozinha, que utilizam os produtos da arca do gosto em suas receitas. No segundo ano, é prevista a produção de audiovisuais e uma publicação sobre as ações da parceria.

O secretário da SDR, Jerônimo Rodrigues, falou sobre os vários níveis em que se encontram as agroindústrias na Bahia, “As cooperativas que produzem alimentos gerados pela produção de agricultores e agricultoras familiares, estão em diferentes estágios, mas todas possuem a garantia da qualidade dos produtos, gerados a partir de uma perspectiva agroecológica, sem a utilização de venenos. E essa é uma boa agenda para celebramos nesse próximo período, e que vai ajudar muita gente”, avaliou.

Para Georges Junior, presidente da associação Slow Food do Brasil, o convênio promete grande riqueza de resultados e o fortalecimento dos produtos da agricultura familiar, visto que a Bahia é um grande celeiro de ideias para aproximar o produtor do mercado consumidor: “Essas cadeias curtas, que são objetos do nosso fomento, alimentam o mundo de forma sustentável. Precisamos mostrar isso para o mundo. O Slow Food age localmente e projeta mundialmente”, disse.

Para o oficial do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Hardi Vieira, “o FIDA já tem desenvolvido um trabalho próximo e colaborativo com o Slow Food. É uma importante parceria para nós”, citou o membro do órgão das Nações Unidas parceiro do Governo da Bahia no projeto Pró-Semiárido.

Filosofia do Slow Food

Comer é fundamental para viver. A forma como nos alimentamos tem profunda influência no que nos rodeia – na paisagem, na biodiversidade da terra e nas suas tradições. Para um verdadeiro gastrônomo é impossível ignorar as fortes relações entre prato e planeta. Além disso, melhorar a qualidade da nossa alimentação e arranjar tempo para saboreá-la uma forma simples de tornar o nosso cotidiano mais prazeroso. Esta é a filosofia do Slow Food.

Fundado por Carlo Petrini, em 1986, o Slow Food, movimento que luta por um alimento bom limpo e justo, se tornou uma associação internacional sem fins lucrativos em 1989. Atualmente conta com mais de 100.000 membros e tem escritórios na Itália, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, França, Japão, Reino Unido e apoiadores em 150 países.

O princípio básico do movimento é o direito ao prazer da alimentação, utilizando produtos artesanais de qualidade especial, produzidos de forma que respeite tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção, os produtores. O Slow Food opõe-se à tendência de padronização do alimento no mundo, e defende a necessidade de que os consumidores estejam bem informados, se tornando coprodutores.

Fonte: Ascom/Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR)