As ruas do Centro Histórico de Salvador estão lotadas de pessoas em busca do que a literatura pode oferecer. Nesta sexta-feira (10), a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) chegou ao terceiro dia. Na programação, um debate sobre ‘Literatura como Ato de Liberdade’, no museu Eugênio Teixeira Leal, e uma oficina criativa na Biblioteca Anísio Teixeira. As atividades foram promovidas pela Fundação Pedro Calmon (FPC), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (Secult). 
No debate sobre liberdade a partir da literatura, a historiadora e pesquisadora Cláudia Trindade, que desenvolve um projeto de leitura com detentos de presídios na Bahia, destacou que a discussão do tema ajuda a superar preconceitos. “A literatura quebra o entendimento limitado da liberdade e mostra o quanto ela pode transpor os muros dos presídios. É possível fazer com que os custodiados tenham uma visão de futuro e compreendam que eles podem ingressar em um grupo diferente do qual eles viviam antes de ter o contato com a literatura", afirmou. 
A historiadora acrescentou que "levar a leitura para o ambiente privado de liberdade e trazer o mundo dessas pessoas que estão custodiadas para a sociedade ajuda a quebrar a visão negativa e preconceituosa que foi se construindo com a figura do custodiado”. 
Um dos convidados para a mesa de debate foi o custodiado Benedito Ferreira, que cumpre pena na Penitenciária Lemos Brito e teve autorização judicial para participar da Flipelô. Escritor, repentista e cordelista, ele dividiu com o público a experiência no universo da literatura.
“Desde os 7 anos que escrevo e tenho certeza que a participação aqui será uma inspiração para um novo texto. Eu me sinto satisfeito pela oportunidade de participar deste evento, porque tudo tem um preço e eu acho que vale a pena a forma como foi conquistado. Estar presente na Flipelô teve o esforço de algumas pessoas que têm me dado essa oportunidade. Uma planta nasce, mas ela não se cria caso não haja alguém para dar um suporte. Me sinto muito feliz e realizado”, revelou.
Oficina de escrita criativa 
A aproximação com os diversos gêneros literários, personagens e autores é uma das propostas da oficina de escrita criativa realizada na Biblioteca Anísio Teixeira. Na aula, o professor e escritor Anderson Shon, responsável pela oficina, explicou que os participantes podem buscar o autorreconhecimento a partir da produção textual. 
“A nossa oficina trabalha com a produção textual para sensibilizar os alunos de que é possível se autorreconhecer por meio da literatura. É uma produção textual altamente criativa, que trabalha aspectos da identidade de cada um dos participantes. Além disso, ter um espaço com a Flipelô é prova de que os soteropolitanos têm um grande apreço pela literatura”, disse. 
Flipelô
A festa literária é realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado, com apoio do Governo do Estado. Até o próximo domingo (12), ele deve receber cerca de 50 mil pessoas. A programação ocorre em 14 espaços do Pelourinho e pode ser conferida no site do evento.
Na segunda edição, a Flipelô homenageia o escritor itaparicano João Ubaldo Ribeiro, amigo de Jorge Amado. O tema deste ano é uma famosa frase de Jorge: “A amizade é o sal da vida”.