Jovens rurais de 12 municípios do semiárido baiano participam da segunda edição da Campus Party Bahia, principal evento de tecnologia, inovação, criatividade e cultura digital do mundo, que acontece até este domingo (20), na Arena fonte Nova, em Salvador.

Na bagagem, o grupo formado por 18 jovens entre meninos e meninas, atendidos pelo Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), trouxe uma tecnologia, desenvolvida com cano de PVC, filtro de barro, carvão e outros instrumentos, que possibilita a purificação e reutilização da água.

“Esse projeto surgiu em Campo Formoso, primeiro veio o filtro num processo em que usamos o carvão mineral como base para eliminar as bactérias, tornando a água potável, a partir disso veio a questão hídrica com a possibilidade de reutilizar a água durante seis meses absorvendo as impurezas do solo”, explicou Wagner Silva, um dos idealizadores do protótipo.

O engenheiro civil, Hernani Medrado, do município de Marcionílio Souza, é consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e está a serviço em Salvador e aproveitou o tempo livre para visitar pela primeira vez, a feira tecnológica: “Maravilhoso vê-los aqui. Primeiro porque os meninos são do semiárido, são da capital do bode, estão caracterizados com coisas da região. Chapéu de couro, alpercata característica da região e mostrando que a inteligência é universal. Eles estão na caatinga, mas estão com um nível tecnológico de outros parceiros, criando uma alternativa de convivência com o semiárido, com o reuso da água. Fiquei maravilhado com o que vi”, afirmou Medrado ao ver o estande dos Jovens do Pró-Semiárido.

Participam da Campus Party jovens representantes dos municípios Saúde, Mirangaba, Miguel Calmon, Ourolândia, Jacobina, Caém, Centro Sé, Remanso, Pilão Arcado, Campo Formoso , Filadélfia e Uauá.

Juventude e tecnologia

A quilombola Aliete Alves, da comunidade Patos III do Distrito de Laje dos Negros, município de Campo Formoso, que participa do evento pela primeira vez, comentou que a experiência é um momento bastante construtivo: “Pude perceber tecnologias que são possíveis de serem adaptada a nossa realidade do semiárido, por exemplo, um boné tecnológico que identifica obstáculos para o deficiente visual. Segundo o seu idealizador, é possível aplicar a tecnologia em relógio, cinto ou outro objeto que ajude a pessoa”, contou a jovem estudante do curso técnico em Agroecologia, no município de Monte Santo.

Já Adilton de Jesus, do município de Ourolândia, que participa pela segunda vez da feira tecnológica, destacou: “Procuramos dar uma sondada aqui no evento, identificando tecnologias novas para pegar o conhecimento que a gente tem e ir adaptando a outras experiências que estamos vivenciando aqui, para levarmos à comunidade e compartilhar com os jovens essas informações por meio de palestras, rádios comunitárias e nas escolas. Esse é o nosso papel enquanto jovens lideranças”.


Fonte: Ascom/ SDR