Em uma nova estratégia de abordagem às pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social ou que fazem uso abusivo de drogas, o Corra pro Abraço levou 20 pessoas assistidas pelo programa para gravar um álbum no estúdio do bloco afro Ilê Aiyê. A gravação foi realizada na tarde desta quarta-feira (11), no Curuzu. 
A iniciativa faz parte da ação de redução de danos promovida pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), em parceria com as superintendências de Políticas sobre Drogas e Acolhimento a Grupos Vulneráveis (Suprad) e Apoio e Defesa aos Direitos Humanos (Sudh) e o bloco Ilê Aiyê. 
A coordenadora do programa, Tricia Calmon, explica que a proposta de gravação do álbum surgiu diante da necessidade de dar visibilidade às composições das pessoas que participam do programa. “A partir das oficinas de música e teatro, os participantes começaram a produzir letras e arranjos. Em determinado momento, constatamos que seria importante preservar essa memória. As letras das canções trazem mensagens que são muito relevantes. Essa parceria com Ilê Aiyê foi fundamental para viabilizar este projeto. Esse processo de encontro, trabalho e cuidado para gravar um álbum é justamente a redução de danos”, afirma. 
Oito canções serão gravadas durante duas semanas. A previsão é que o álbum seja lançado já no segundo semestre deste ano, juntamente com um livro sobre as práticas e estratégias de redução de danos nas cidades de Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana. 
Iniciativa do Governo da Bahia, por meio da SJDHDS, Corra pro Abraço foi criado em 2013. Mais de cinco mil pessoas já foram assistidas pelo programa. “Essa iniciativa nasce na expectativa de garantir direitos para as pessoas em situação de rua e também jovens que estão no processo gradual de criminalização. Existe um trabalho na perspectiva político-cidadão para que possamos oferecer um apoio institucional para que essas pessoas atinjam as suas potencialidades e ao mesmo tempo construam o seu protagonismo", esclarece a superintendente da Suprad, Denise Tourinho. 
A superintendente acrescenta que o programa vai "onde essas pessoas estão e desenvolve várias ações, como oficinas de arte-educação e escuta qualificada de profissionais técnicos. [Também] trabalhamos em parceria com o Tribunal de Justiça para tratar as pessoas que são presas em situação de uso de drogas”.

Repórter: Jairo Gonçalves