Salvador exerceu um papel de destaque na América Portuguesa, sendo a porta de entrada para milhares de africanos que eram transportados nos navios negreiros, por meio do tráfico transatlântico de escravos, segundo o pesquisador Carlos da Silva Jr.
A situação de desumanidade vivida pelos africanos a bordos dos navios incomodou o poeta baiano Castro Alves e o artista alemão Hansen Bahia, que retrataram, por meio da arte, a dor dos negros tirados de suas origens.

O resultado das produções dos artistas pode ser apreciado pela população do município de Valença, no baixo sul do estado, na Exposição Itinerante Navio Negreiro Hansen Bahia e Castro Alves.Com a curadoria de Ayrson Heráclito e idealizada pelo Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon (FPC), vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (Secult), a exposição será aberta ao público nesta sexta-feira (20), às 19h, no Centro de Cultura Barradas.

Exposição FPC
Foto: Ascom/Fundação Pedro Calmon

“O objetivo da exposição é para que nunca esqueçamos o quanto foi, e é, perverso e desumano o sistema colonial-escravista. Ver Hansen e ler Castro Alves é um exercício ético e estético absolutamente necessário e contemporâneo” afirma Heráclito. Contemplando a mostra haverá, também no Centro de Cultura, a oficina de Xilogravura, que será ministrada pelo artista plástico Zimaldo Baptista. As atividades ocorrerão na quinta-feira (26), com uma turma às 9h e outra às 14h e, na sexta (27), com uma turma também às 9h. Formado em Artes Visuais, pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Zimaldo foi um dos participantes da XI Bienal do Recôncavo da Bahia.

Valença será a penúltima cidade a receber a exposição, que já passou por dez municípios baianos. Segundo diretor do CMB, Rafael Fontes, essa é uma forma de levar o público à reflexão sobre esse momento da história do Brasil. “que precisa ser pensada e discutida nos dias de hoje. Por isso, a exposição itinerante leva para as cidades oficinas, debates e discussões sobre o que foi a escravidão”.

CMB

O Centro de Memória da Bahia (CMB) tem o objetivo de promover a difusão da história da Bahia, por meio da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, e ainda a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

Fonte: Ascom/Fundação Pedro Calmon (FPC)