Como uma família negro-mestiça de Salvador dos anos 1930 formou uma pianista? A biografia em longa metragem Celice – Histórias e Canções de uma Mestra Pianista busca responder em linguagem poética e abordagem histórica a esta pergunta. O filme, produzido com apoio do Governo do Estado, por meio do Fundo de Cultura, estará em cartaz na Sala Walter da Silveira entre 6 e 8 de abril (sexta a domingo), sempre às 17h. A sessão de sábado (7) será em comemoração aos 88 anos da mestra, com uma roda de conversa sobre o filme e a presença da protagonista e da diretora.

O filme traz a biografia histórica de uma soteropolitana negro-mestiça, octogenária, pianista e professora de piano ainda atuante na cidade. A sua história de vida ajuda a contar aspectos históricos de Salvador do século XX. Em tom narrativo, a trama é contada em primeira pessoa pela filha da pianista, a diretora e historiadora Wayra Silveira.

O roteiro aborda não somente aspectos da grande história do estado e do país entre os anos 1930 e 1980, mas também os desafios e estratégias de uma família negra na pós-abolição na Bahia, elementos do cotidiano de Salvador, questões sobre o ensino de música na cidade a partir da criação do Conservatório de Música em 1897 (depois chamado Instituto de Música da Bahia), a vida da classe média operária após a descoberta do petróleo no Recôncavo Baiano, e a ancestralidade e poesia do bairro de Itapuã, tudo isso a partir da biografia de Celice, 88 anos, pianista desde os seis anos e professora de piano desde os 20.

No filme os desconhecidos surgem como os protagonistas, comprovando que, quanto menos o personagem se situa entre os grandes nomes da história, mais rica pode ser a narrativa da sua biografia, no exercício para identificar a figura no seu meio. A protagonista desta obra tem um trabalho silencioso e persistente de quase 70 anos no ensino de música na cidade do Salvador. Este filme conta esta micro-história, única e ao mesmo tempo representativa da coletividade.

Celice – Histórias e Canções de uma Mestra Pianista é um relato interpretativo da historiadora Wayra Silveira, estreante como diretora de documentários, realizado a partir de fontes orais, bibliográficas e documentais, do acervo familiar e de bibliotecas e arquivos públicos. Financiado por recursos do Fundo de Cultura do Estado da Bahia através do Edital Culturas Populares coordenado pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias/Secult, o filme conta ainda com o apoio da Dimas/Funceb e do Irdeb.

Fonte: Ascom/Secult