Os povos de terreiros e os baianos e turistas em geral, agora contam com uma loja colaborativa, no Pelourinho, que comercializa os produtos que são produzidos exclusivamente nos terreiros de Salvador e Região Metropolitana: a Botica Rhol – Rede de Hortos de Plantas Medicinais e Litúrgicas.

No local, são vendidos produtos como roupas, sabão da costa, objetos de decoração, doces, geleias, essências, sabonetes e plantas, que são produzidos por 12 terreiros que fazem parte da rede colaborativa, e foram contemplados entre os 54 projetos do Edital de Apoio aos Empreendimentos Solidários de Matriz Africana, da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esportes do Estado (Setre).

A motivação para o lançamento do Edital se deu pela identificação do imenso potencial produtivo nos espaços de matriz africana, constituído por homens e mulheres livremente associados em empreendimentos formais e informais. No dia a dia, são produzidos uma gama de trabalhos que expressam manifestações culturais características como artesanato, confecção, culinária, plantas medicinais, entre outras.

Geleia
Doces e geleias são produzidos a partir de frutas cultivadas nos terreiros. (Foto: Camila Souza/GOVBA)


“Nós observamos a quantidade de frutas que eram produzidas no terreiro, e que eram desperdiçadas pela falta de consumo delas, e então resolvemos fazer as geleias e doces, oportunizando aos filhos de santo que vivem no terreiro a terem uma fonte de renda e também possibilita que as pessoas fora dos terreiros possam conhecer nossos produtos”, explica o babalorixá José Livramento, do terreiro Ilê Axé Toloyá, da comunidade de Areias, em Camaçari. “É uma forma de divulgar as coisas que acontecem nos terreiros, dos produtos que fazemos e de como trabalhamos com as plantas, folhas e alimentos”, completou.

Na Botica Rhol também são ofertados cursos e oficinas para o aproveitamento das plantas cultivadas em terreiros, e transformação em produtos comercializáveis: “O que antes seria jogado fora, agora poderá ser aproveitado de forma mais correta, com a qualidade que todo povo de terreiro já conhece e confia”, explicou Mona Soares, farmacêutica do projeto Botica Rhol.

O projeto Rhol, que recebeu investimentos de cerca de 720 mil reais e beneficia mais de 60 famílias de comunidades tradicionais afrodescendentes, é executado pela Associação Filhos do Mundo, em parceria com a Àwa Ações Afirmativas. Os terreiros envolvidos receberam assessoramento técnico e orientação especializada para a implantação de hortos agroecológicos e de um centro de beneficiamento, possibilitando a produção e comercialização de plantas com base nos princípios da economia solidária.

“A Botica Rhol tem um papel fundamental, pois apresenta bons resultados deste edital que foi lançado em 2014, e vem agregar um conjunto de terreiros no processo de inclusão socioprodutiva e comercializar esses produtos, neste sentido da solidariedade, sem esquecer-se da questão da economia solidária, com a coletividade, atraindo renda para todos, mantendo a herança das matrizes africanas em nosso Estado”, disse a assessora técnica da Coordenação de Informação Estratégica e Monitoramento da Setre, Juci Santana.


Repórter: Henrique Coelho