Financiado por recursos do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, mecanismo gerido pelas Secretarias de Cultura (Secult) e da Fazenda (Sefaz), através do Edital Culturas Populares 2016/Versão Simplificada, o curta documentário Histórias de Vida – Pastoras e Tocadores da Queimada da Palhinha será lançado no Barracão de Dona Pina, no sábado (27), às 19h30, na comunidade de Palmares, em Simões Filho. No mesmo dia, às 22h, acontecerá também a festa anual Queimada da Palhinha, tradição nesta comunidade, última jornada em honra ao nascimento do Deus Menino com cantos, danças, versos e dramatizações, contando com a presença dos Mestres e Mestras homenageados.

A jornada única de cada pessoa é um patrimônio da humanidade e conhecer histórias de vida pode ser transformador da nossa visão de mundo. Este documentário, inspirado no trabalho do Museu da Pessoa e dirigido por Wayra Silveira, nos oferta aspectos da vida de Mestras e Mestres da cultura popular da Bahia. São Pastoras e Tocadores de Simões Filho e Camaçari, todos eles artistas-devotos do Baile Pastoril Queimada da Palhinha.

O Baile Pastoril – Mulheres com saias rodadas, homens com os pandeiros na mão. A imagem de Senhor Deus Menino no presépio enfeitado de velas, frutas, flores, bonecas, brinquedos, luzes pisca-pisca, bolas de soprar, folhas da árvore São Gonçalinho e arcos de folha do dendezeiro. É o Baile Pastoril Queimada da Palhinha em homenagem ao nascimento do Deus Menino, prática cultural mestiça transmitida de geração em geração, referência de identidade cultural realizada em comunidades da Região Metropolitana de Salvador, que agora ganha o registro audiovisual da trajetória dos seus Mestres e Mestras no curta documentário Histórias de Vida – Pastoras e Tocadores da Queimada da Palhinha.

A direção é da historiadora Wayra Silveira. “Esta manifestação cultural é portadora de referências à identidade e à memória do país. Este filme valoriza a trajetória persistente de Mestre e Mestras da cultura popular da Bahia e revela aos olhos contemporâneos um Brasil profundo, quase sempre escondido”, observa Silveira.

Ação de salvaguarda – O lançamento deste filme representa mais uma ação de salvaguarda desta tradição centenária no estado e no nordeste do país, que há poucos anos se encontrava em vias de desaparecimento. Procura valorizar a história de artistas-devotos remanescentes desta festa religiosa natalina, as suas maneiras de viver e ver o mundo, profundamente ligadas ao sagrado, cheias de simplicidade, alegria e fé, de uma beleza profunda. Esses mais velhos são guardiões desta devoção que é ao mesmo tempo uma brincadeira, eles trazem na memória cantigas e versos e no corpo o baile e o samba que exaltam o renascimento, a renovação e o recomeço.

A festa é centenária nesta região e também pode ser encontrada em municípios como Madre de Deus, São Francisco do Conde e Saubara. Em Simões Filho a dona da festa é Dona Pina, Pastora desde menina. “A lapinha é armada neste local há muitos anos”, conta a Mestra. Desde 2002, o seu grupo realiza ações de salvaguarda como intercâmbios culturais, oficinas de transmissão de saberes, registro fotográfico, e em 2015, lançou com o apoio do FCBA/Secult-BA, o livro Cantigas de um Baile Pastoril com letras e partituras de 53 cantigas e 57 versos que até então estavam guardados na memória dos anciãos e já não eram repassados facilmente para as novas gerações. Com estas ações a festa de Palmares começou a se revigorar, cresceu o grupo de moços e crianças, pastorinhas e pastorinhos, que vem aprendendo as cantigas e versos, reinventando a tradição.

As Mestras e os Mestres retratados no curta documentário Histórias de Vida – Pastoras e Tocadores da Queimada da Palhinha, apesar de residirem tanto em Simões Filho como em Camaçari, são pastoras e tocadores no baile de Palmares: Dona Pina, Seu Nilo, Seu Joaquim, Dona Arcanja, Dona Mácima, Dona Das Dores. São artistas-devotos negros, que vivem na subalternidade e possuem um rico imaginário cheio de mitos, poesias e cantigas. O filme também homenageia Mestres falecidos recentemente: Dona Sartíria, Seus Manoel e Seu Da Hora.

Museu da Pessoa – O filme teve inspiração na metodologia de Registro de Histórias de Vida do Museu da Pessoa, um museu virtual que reúne milhares de memórias de brasileiras e brasileiros comuns, e que valoriza cada trajetória de vida como patrimônio da humanidade e como fonte de conhecimento. A Tecnologia Social da Memória foi utilizada para o registro dos depoimentos, e o filme passará a compor o acervo do Museu da Pessoa.

Nas memórias registradas nas entrevistas com as Mestras e os Mestres, as emoções, os silêncios, as pausas, as repetições, as digressões foram incluídas não só como subjetividades bem-vindas, mas como a maior riqueza deste registro. O projeto contou ainda com o apoio do IRDEB e da Secretaria Municipal da Cultura da Prefeitura Municipal de Simões Filho.

Fonte: Ascom/Secult