Os projetos socioambientais e as campanhas de Educomunicação realizados pelos alunos das Escolas Famílias Agrícolas de Quixabeira, Rio Real e Alagoinhas foram apresentadas na manhã da sexta – feira (15), durante a cerimônia de encerramento do projeto “Educação Ambiental na Agricultura Familiar: fortalecendo e potencializando a ação da juventude do campo baiano”.

Fruto da parceria entre o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FMNA) e a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), com investimento de R$ 700 mil, a iniciativa certificou nessa primeira etapa, 120 estudantes rurais que, durante seis meses, tiveram formação sobre Cadastramento de Imóveis Rurais (Cefir), elaboração de projetos, agroecologia e Educomunicação. Durante o evento, os alunos também apresentaram as campanhas de comunicação para divulgação dos projetos, a exemplo de paródias, spots de rádio, folders, vídeos documentários, entre outras peças publicitárias.

Jovens como Laiane dos Santos e Douglas Oliveira, da EFA de Jaboticaba, em Quixabeira, idealizadores do projeto Água Cinza, que consiste no reaproveitamento da água que é descartada logo após as atividades diárias na escola onde estudam. De acordo com a experiência, durante o processo de purificação, a água é colocada em filtros feitos com garrafa peti, e passa por camadas de areia grossa, areia fina, carvão vegetal, cascalho e algodão. Logo após, através de uma calha, vai seguir para dois reservatórios, e será utilizada na produção de plantas forrageiras que servirá de alimentos para os animais criados no entorno da escola.

Segundo Douglas, a ideia surgiu depois que eles identificaram o baixo volume de água da barragem São José do Jacuípe, único reservatório que abastece a cidade. “Além do aprendizado profissional e técnico, esse curso nos deu a possibilidade de identificar diversos problemas socioambientais e também nos fez pensar uma forma criativa e econômica para resolver as questões que afetam a nossa comunidade”.

Além do “Água Cinza”, os formandos também elaboraram projetos para implantação de biodigestor de gás natural, com a utilização de fezes porco, sistema de captação e armazenamento de água de chuva, sistema agroflorestal e revitalização de florestas nativas. De acordo com o titular da Sema, Geraldo Reis, “ as experiências apresentadas contribuíram para que todos os presentes na cerimonia adquirissem uma visão mais aprofundada da importância das EFAs para a formação integral dos jovens”.

Jovens multiplicadores

O projeto “Educação Ambiental na Agricultura Familiar” tem como principal objetivo o fomento à sustentabilidade na agricultura familiar a partir de processos educativos e intervenções socioambientais que incentivem a incorporação de práticas sustentáveis e que estimulem a reflexão e transformação das relações sociais e de produção no campo. Segundo a diretora de Educação Ambiental da Sema, Zanna Matos, “ a perspectiva é que, ao final das etapas, sejam formados agentes multiplicadores que atuarão nas comunidades replicando conhecimentos que possibilitarão a comunidade refletir criticamente o meio ambiente, produzindo intervenções e enfretamentos para as questões ambientais locais”.

Formação cidadã

Atualmente, a Bahia possui 30 EFAs que adotam o modelo da "pedagogia de alternância", criado na França, em 1935, cujo objetivo era fazer com que os adolescentes campesinos se interessassem pelo estudo, se enquadrando na educação regular, e também a importância de fazer chegar ao campo o desenvolvimento tecnológico.

Nessa metodologia, o estudante, que normalmente mora em comunidades afastadas, passa 15 dias na escola, onde tem aulas e atividades do ensino regular e outras ligadas a empreendedorismo, técnicas agrícolas e cidadania. Os outros 15 dias do mês, o estudante passa em sua casa/comunidade, mas acompanhado por monitores e com atividades programadas.


Fonte: Ascom/ Secretaria do Meio Ambiente (Sema)