O volume de vendas do comércio baiano registrou queda de 2,1% no mês de outubro, quando comparado a igual mês do ano de 2016, de acordo com dados apurados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). No varejo nacional as vendas cresceram em 2,5%, em relação à mesma base de comparação. Na análise sazonal, a taxa do comércio varejista no estado baiano registrou variação negativa de 0,9%. A retração no volume do comércio baiano resultou para o acumulado a taxa negativa de 1,5%, e nos últimos 12 meses de 2,9%.

Apesar dos dados da Fundação Getulio Vargas referente ao Índice de Confiança do Consumidor (ICC) revelarem que houve uma melhora nesse índice ao registrar crescimento de 3,9 ponto percentual em outubro, em relação ao mesmo período no ano anterior, atingindo 83,7 pontos, na Bahia, considerando os dados dessazonalizados, o comércio varejista registrou retração no volume de vendas. Nem mesmo a comemoração do Dia das Crianças, data que juntamente com a comemoração do Natal e Dia das Mães, representa uma das três melhores para o impulso nas vendas do setor, foi suficiente para evitar a queda nos negócios nesse mês de outubro. Esse comportamento foi influenciado pelo segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo que ditou fortemente o ritmo de queda (-19,6%). Esse comportamento dispare ao do país que cresceu 1,5% para esse segmento, em relação a igual mês do ano anterior, pode ser explicado muito provavelmente por uma mudança de hábitos do consumidor baiano que tem feito a opção de realizar as suas compras em mercados de bairros, os quais não são captados pela pesquisa.

Por atividade, os dados do comércio varejista do estado da Bahia, quando comparados a outubro de 2016, revelam que seis dos oito segmentos que compõem o Indicador do Volume de Vendas registraram comportamento positivo. Listados pelo grau de magnitude das taxas em ordem decrescente, têm-se: Móveis e eletrodomésticos (33,5%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (12,7%); Livros, jornais, revistas e papelaria (8,3%); Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (5,2%); Tecidos, vestuário e calçados (2,2%); e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,6%). Os segmentos de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, Combustíveis e lubrificantes, e Combustíveis e lubrificantes registraram variações negativas de 19,6% e 1,7%, respectivamente. No que diz respeito aos subgrupos, verifica-se que registraram variação positiva os subgrupos de Móveis e Eletrodomésticos com taxas de 20,1% e 38,7%, respectivamente, enquanto Hipermercados e supermercados apresentou queda de 18,8%.

Quanto aos segmentos que mais influenciaram o comportamento positivo das vendas na Bahia tem-se pelo segundo mês consecutivo: Móveis e eletrodomésticos e Outros artigos de uso pessoal e doméstico. Em contrapartida ao comportamento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo que determinou o comportamento negativo do setor nesse mês.

Em outubro, o comportamento de Móveis e eletrodomésticos apresentou a maior contribuição positiva para as vendas do setor decorrentes, além da influência de uma base baixa de comparação, à redução da taxa de juros no crédito às pessoas físicas e o impacto positivo da melhora observada no mercado de trabalho. O segmento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba segmentos como lojas de departamentos, ótica, joalheria, artigos esportivos e brinquedos foi o segundo a exercer maior influência para o setor. A razão para esse comportamento está na comemoração do Dia das Crianças em que tradicionalmente ocorre um impulso nas vendas para os artigos comercializados pelo segmento.

Contrapondo o comportamento registrado por esses segmentos, tem-se o segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo que pelo quinto mês consecutivo exerceu a maior contribuição negativa. Segmento de maior peso para o Indicador de Volume de Vendas, essa atividade vem registrando, na Bahia, quedas consecutivas nas vendas desde maio de 2015. Muito provavelmente, essa queda se deve a mudança do comportamento do consumidor que está preferindo comprar em estabelecimentos de atacados, os quais não fazem parte da amostra da pesquisa, além de uma mudança de perfil dos consumidores ao optarem em realizar suas compras nos mercadinhos de bairro.

Comportamento do comércio varejista ampliado

O comércio varejista ampliado, que inclui o varejo e mais as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, registrou, em outubro, crescimento nas vendas de 1,7%, em relação a igual mês do ano anterior. Nos últimos 12 meses, a retração no volume de negócios foi de 1,1%.

O segmento de Veículos, motos, partes e peças registrou acréscimo nas vendas de 7,7% em relação a igual mês do ano anterior. Apresentando um crescimento de 2,2% nas vendas do segmento nos últimos 12 meses. Em relação ao segmento Material de Construção, as vendas no mês de outubro foram positivas em 14,8%, comparado ao mesmo mês do ano de 2016. No acumulado dos últimos 12 meses as vendas cresceram 3,6%. O resultado desse mês para ambos segmentos é reflexo da inflação mais baixa e juros em queda.

Fonte: Ascom/Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI)