O público de Salvador lotou o Teatro Castro Alves (TCA) para assistir ao bate papo entre a atriz Taís Araújo e a jornalista e apresentadora Rita Batista, no projeto “Mulher com a Palavra”, promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM). Taís, uma das primeiras protagonistas negras em horário nobre da TV brasileira, falou da sua história, de como se sentiu abusada quando, aos 17 anos, teve fotos nuas publicadas sem autorização, e como começou sua militância pelo feminismo e pelo movimento negro. “A gente tem a dizer muitas coisas, desde equidade na sociedade, diferença salarial, respeito, a gente tem falado do transporte público, são tantas pautas que não dá para resumir. A gente está muito aquém do que a gente deseja e do que a gente merece, eu não consigo fazer uma lista”, afirmou a atriz.

Ainda segundo Taís, sua militância nasceu da necessidade de falar e, para isso, a experiência como artista foi fundamental. “Para falar é preciso ter um mínimo de segurança, saber que você vai ser ouvido, porque senão nem força para isso você tem. Quando as mulheres tentam falar, a tendência é desqualificar essas mulheres para que elas não consigam falar. Mas eu acho que meu desejo vem da necessidade, vem da falta”, explica.

A secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Julieta Palmeira, lembrou que esta é a terceira edição do projeto Mulheres com a Palavra. “A iniciativa faz parte da nossa campanha de enfrentamento da violência contra as mulheres, que se chama Respeita as Mina. É o segundo ano do projeto e significa muito para nós trazer mulheres que se destacam, se posicionam pelo feminismo, pelo combate ao machismo, e estão empoderadas”.

Palmeira afirmou que, somente na Bahia, são dois feminicídios por semana. “O lugar de mulher é onde ela quiser, na política, na luta, porque as mulheres são guerreiras e têm atitude e isso não pode ser limitado pelo machismo e pela violência. Então, o Governo do Estado, por orientação do governador Rui Costa, tem feito várias ações através da Secretaria de Política para as Mulheres, porque o machismo não é só um problema de polícia, é preciso mexer com a cultura machista e empoderar as mulheres para acabar com essa situação”.

A jornalista e apresentadora Rita Batista recebeu Taís Araújo e disse que as duas são grandes amigas, conhecem a realidade das mulheres, especialmente as negras. “As mulheres brasileiras sabem como é que a gente vive, quais são as nossas condições, dificuldades, necessidades. É isso que nos aproxima a todas. Mais uma vez, o projeto Mulheres com a Palavra, da Secretaria de Política para as Mulheres, acerta com essa convidada que tem muito a dizer e tem dito, tem feito do seu trabalho uma bandeira do feminismo, do empoderamento negro. A gente sabe que a luta é árdua e aproveita”.

O estudante de engenharia Ilan Silva foi pela primeira vez assistir à entrevista do projeto. “É um espaço para ampliar alguns horizontes sobre o papel da mulher na sociedade brasileira e a gente, como homem, tem que saber como lidar e receber todas essas tendências’.
Sueli França, 32, assistente social e estudante de Rádio e TV, já tinha assistido a entrevista com Pitty. “O projeto traz um diálogo com todas as mulheres que, cada vez mais, se empoderam. O de Pitty foi maravilhoso e estou aqui para prestigiar Taís Araújo. Bem bacana este projeto, que venham outros, com diálogos abertos para as pessoas darem suas opiniões sobre diversos temas”.


Repórter: Raul Rodrigues