O projeto Grafitaê, promovido pela Secretaria da Educação do Estado, está aliando arte e sociologia nas escolas da rede estadual. É que antes das intervenções de grafitagem nos ambientes escolares, os estudantes são envolvidos em seminários e debates sobre temas que fazem parte da vida em sociedade. Entre as abordagens estão: respeito à diversidade, combate ao racismo, ao machismo, ao sexismo e outros como empoderamentos juvenil, negro e feminino, que foram debatidos, nesta quinta-feira (28), no Colégio Estadual Sara Violeta de Mello Kertesz, no bairro Rio Sena, em Salvador.

Os estudantes participaram de um workshop sobre o grafite com o professor e grafiteiro Deni Sena. Além das técnicas, os cerca de 50 estudantes envolvidos tiveram uma aula sobre a grafitagem, que vem se consolidando e se fortalecendo, cada vez mais, como uma expressão de arte de rua questionadora e utilizada como instrumento de afirmação social.

O estudante René Carmo dos Santos, 18 anos, do 9º ano, se envolveu no projeto e fala como a atividade contribuiu para ampliar seu interesse pelas artes, pela sociologia e também pela disciplina de História. “Achei muito divertido. Estou aprendendo mais sobre a arte do grafite, que é uma forma de a periferia se apropriar de uma cultura negra. Assim, eu posso grafitar os muros conforme a minha ideologia. Tivemos uma grande aula de Sociologia por meio do grafite e de História, porque isto requer estudos e pesquisas sobre os temas que irei grafitar. Posso dizer que a partir desta experiência ampliei o meu interesse pela arte, principalmente porque quero ser design”, afirmou.

A diretora do colégio, Sandra Lee, diz que a ação promove o protagonismo estudantil e fortalece outras ações pedagógicas já realizadas na escola. “Os temas abordados hoje já são trabalhados na escola e, agora, estamos fazendo uma extensão por meio do grafite. Isto leva o estudante ao reconhecimento da escola como um espaço dele, que é um cidadão atuante nesta sociedade. No momento em que a gente dá oportunidade para que os estudantes se expressem e deixem a sua marca dentro do patrimônio da escola, que é um patrimônio deles, eles se sentem pertencentes à escola”, afirmou.

‘O projeto Grafitaê: escola conta e pinta a sua história’ foi lançado pela Secretaria da Educação do Estado, com o objetivo de incentivar a liberdade de expressão, a criatividade, a interação coletiva e o grafite como forma de diálogo da cultura urbana dentro do ambiente escolar. O projeto busca, também, aproximar a realidade dos estudantes à escola por meio da história de vida dos alunos e da comunidade, promovendo o empoderamento juvenil.

Fonte: Ascom/Educação