A mensagem de resistência do Olodum está nas partituras e serve como estímulo para os alunos de música da Base Comunitária de Segurança (BCS) do Calabar, em Salvador. Entre eles, o Projeto Primeiro Som formou o saxofonista Henrique Santos, 22 anos, que hoje é músico profissional. 
Mais de 100 jovens estão matriculados nas aulas de canto e de instrumentos de cordas e sopro oferecidas pela BCS. Iniciado há três anos, o Primeiro Som é um dos nove projetos desenvolvidos pela unidade da Polícia Militar, por meio do programa Pacto pela Vida. 
Antes do projeto, Henrique estudava música sozinho em casa e não tinha perspectiva de crescimento. “Eu me inscrevi aqui como aluno de sopro e fui me profissionalizando, querendo ser saxofonista. Hoje sustento meus dois filhos, toco no Le Cirque e em bandas de igreja. A unidade proporcionou meu crescimento musical”, afirma.
 
Segundo o idealizador das oficinas de instrumentos de sopro, soldado Leonardo Agrellos, a música é tratada na base não apenas de forma lúdica, mas profissionalizante. “Assim, a gente ajuda a prevenir que esses jovens entrem para a criminalidade. A ociosidade é um problema muito grande e a música preenche esse vazio. Fico feliz de ver um aluno se desenvolvendo e sustentando sua família, sendo contratado. Esse é o combustível do nosso trabalho”, comemora o soldado. 
Foto: Mateus Pereira/GOVBA
O Projeto Primeiro Som formou o saxofonista Henrique Santos, 22 anos, que hoje é músico profissional
(Foto: Mateus Pereira/GOVBA)
Confiança e incentivo 
Tauana Bonfim, 16, toca violão e é a frequentadora mais antiga do projeto. A partir da base comunitária, ela ampliou os horizontes. “Eu era muito tímida. Hoje consigo me expressar e me comunicar com as pessoas. Conheci muita gente aqui. Também procurei outras atividades. Fiz teste para teatro no Cria [Centro de Referência Integral de Adolescentes], no Pelourinho, por incentivo do professor, e passei. A base me ajudou muito. Tudo começou aqui”. 
Subcomandante da BCS do Calabar, tenente Hélio Pitanga lembra que a unidade foi a primeira a ser implantada na Bahia, em 2011. De lá para cá, houve uma redução de 90% no número de mortes na região. “Nós percebemos que o trabalho que fazemos aqui com nossos nove projetos, nas áreas de saúde, educação e cidadania, estão dando resultados. E para isso, é fundamental a união com a comunidade, que demonstra confiança no nosso trabalho”. 
Repórter: Raul Rodrigues