Jaqueline Alves Pinto, 18 anos, é uma das alunas regulares da Escola Família Agrícola (EFA) Litoral Norte, em Rio Real, na região nordeste do estado. Ela participa do curso ‘Educação Ambiental na Agricultura Familiar: fortalecendo e potencializando a ação da juventude do campo baiano’, iniciado na última sexta-feira (11), com o módulo de Agroecologia. O projeto da Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema), vencedor de edital do Fundo Nacional do Meio Ambiente, está sendo levado a três EFAs no interior, e tem como foco fortalecer o jovem do campo, por meio essas entidades de ensino técnico, que permite ao jovem de origem rural conciliar a educação formal com a permanência no campo, por meio da Pedagogia da Alternância.

Com sua pequena filha de 5 meses de idade nos braços, a aluna Jaqueline, natural de Jandaíra, mostra como acontece na prática a Pedagogia da Alternância na EFA Litoral Norte. “Sempre assisto aula com minha filha. Manuele já se adaptou. Somos uma família aqui, sempre dando a mão um ao outro. Eu sempre tive vontade de estudar em uma escola agrícola, porque é a minha realidade. Quando meus parentes falaram que existia essa escola por alternância, em que você estuda 15 dias e depois vai pra casa, vi que essa era a escola certa para mim”. Ela pretende ser professora técnica agrícola.

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A EFA permite ao jovem de origem rural conciliar a educação formal com a permanência no campo
(Foto: Ascom/Sema)

Na abertura do curso, a diretora de Educação Ambiental para a Sustentabilidade da Sema, Zanna Matos, apresentou a proposta da formação. “O foco é agregar jovens de 16 a 29 anos, entre homens e mulheres, filhos de agricultores, de comunidades rurais, que vivem e convivem no cotidiano da Pedagogia da Alternância, um critério muito relevante para nós. O grande objetivo é formar esses jovens em Educação Ambiental, com metodologias participativas, educomunicação e fomento à reflexão política que contribua com a capilarização da Educação Ambiental na agricultura familiar, através de um processo multiplicador”.

A diretora detalhou que, ao final do projeto, cada uma das cinco turmas, sendo duas em Rio Real, duas em Quixabeira e uma em Alagoinhas, deve apresentar como resultado um projeto de Educação Ambiental para ser implementado em sua comunidade ou na própria EFA, e também uma campanha ou produto de comunicação.

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O primeiro módulo do curso Educação Ambiental na Agricultura Familiar foi sobre Agroecologia

Jovens de 38 municípios serão beneficiados

O projeto vai beneficiar 150 jovens de 38 municípios de seis territórios de identidade da Bahia.João Bosco Júnior, 23, oriundo do município de Esplanada (nordeste), participou da atividade na EFAs Litoral Norte. O jovem vive na propriedade rural de seus pais, onde plantam culturas anuais e culturas permanentes, como cítricos e maracujá. “Eu já tinha feito um curso de agroecologia antes, mas não aprofundou muito. Então, vim aprender mais para levar comigo essas práticas. A agroecologia traz benefícios ao meio ambiente e à sociedade também. É algo muito importante, que muita gente ainda não conhece”.

O instrutor Anderson Moreira de Jesus, 32, engenheiro florestal, que atualmente faz uma vivencia na EFA de Monte Santo, explica que a EFA tem instrumentos pedagógicos diferenciados e os estudantes já entendem que a pedagogia está totalmente alinhada às práticas. “Esse curso de Educação Ambiental vem para impulsionar as atividades que já acontecem na escola e fortalecer o protagonismo da juventude para desafiar o modelo econômico e de produção vigente na agricultura”.

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Projeto beneficiará 150 jovens de 38 municípios integrantes de seis territórios de identidade

Os instrutores Anderson e Gilmar Andrade, contratados por meio da Rede das Escolas Famílias Agrícolas Integradas do Semi-Árido (Refaisa), ministram o módulo de Agroecologia no curso.Para apoiá-los, o projeto adquiriu materiais de consumo e equipamentos para as EFAs (retroprojetor, tela de projeção, notebook, mouse, impressora, câmera digital e case para note). Publicações relevantes e de referência nos temas que serão desenvolvidos (metodologia e elaboração de projetos, agroecologia, educomunicação) foram doados às bibliotecas das EFAs. Além disso, os alunos receberam mochila e a apostila.

Também participaram da abertura das atividades em Rio Real, o secretário de Agricultura e Meio Ambiente do município, Walmir Simões, e o diretor da EFA, Osmar Souza.No mesmo final de semana, foram iniciadas também as atividades na EFA de Quixabeira, onde foi realizado o primeiro módulo de Elaboração de Projetos Socioambientais e Metodologias Participativas.

Fonte: Ascom/Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema)