Orgulho de ver o trabalho exposto na parede do movimentado Shopping Center Lapa, no centro de Salvador. Isso é o que sente Jucicleide de Souza, aluna do 9º ano da rede estadual. “Eu estou muito feliz pela oportunidade de eu e meus colegas podermos expor nossa arte e os talentos que temos, e agradecidos pela escola ter nos dado essa oportunidade”, contou.

Jucicleide é uma dos 400 estudantes que participaram das aulas de artes do Colégio Estadual Daniel Lisboa, no bairro de Pau da Lima, em Salvador. De tudo o que foi produzido, 31 obras foram selecionadas para participar da exposição montada no primeiro piso do shopping. São resultado da criatividade e sensibilidade dos jovens de 10 a 17 anos, estudantes do Ensino Fundamental II, com temas como os biomas brasileiros e a natureza milenar da arte rupestre.

Proporcionando um ambiente educacional mais prazeroso e se aproximando da juventude através das linguagens artísticas, os gestores e professores da escola apostam nos projetos como formas de desenvolver novos talentos também. É o que acredita a diretora do Daniel Lisboa, Rany Carneiro. “Para valorização deste trabalho que é feito com os alunos, fizemos essa parceria com o shopping. Os meninos ficam felizes e começam a pensar na profissão de pintor, desenhista. São meninos que vêem na arte uma forma de aumentar a auto-estima, se sentir valorizado, reconhecido”, contou a professora.

Técnicas diferenciadas

Para a professora de artes Lívia dos Santos, houve certo estranhamento no início, mas depois a turma se empolgou no projeto de arte rupestre. “Primeiro a gente faz uma explicação teórica de como começou esse tipo de manifestação artística e depois partimos para a prática. Quando eu disse que utilizaríamos gravetos ao invés de pincel, e clara de ovo, água e pó de café como tinta, os meninos ficaram agitados, não entenderam muito. Mas a experiência foi maravilhosa, e, ao final, muitos deles já estavam perguntando quando nós faríamos de novo. Estamos sempre buscando estratégias diferentes para os jovens e ficamos muito contentes com esse resultado”, contou a professora.

Votação

Quem for à exposição pode votar na obra que mais gostou, com cédulas de votação e uma urna organizada no local da exposição. A escolhida pelo público vai participar do Projeto de Artes Visuais Estudantis, que vai reunir estudantes de todo o estado e os melhores trabalhos na mostra que farão durante o Encontro Estudantil da Rede Estadual, que este ano acontece entre os dias 26 e 28 de outubro.

Arte na escola

O Colégio Daniel Lisboa é um entre as mais de mil escolas que adotam projetos de arte, sejam elas visuais, como música, dança, teatro, produção de vídeo, literatura. No total, há 1.109 colégios da rede estadual desenvolvendo iniciativas em todos os territórios de identidade da Bahia. Ideias que aguçam os sentidos e a sensibilidade destes jovens em formação, é o que acredita a coordenadora dos projetos de arte e cultura da Secretaria da Educação (SEC). “Há dez anos que a SEC tem acreditado na arte como forma de revolucionar a escola e estamos celebrando essa década com a posição de desenvolver os projetos artísticos com a juventude estudantil como política pública. A Bahia tem ações de uma ponta à outra, ações generalizadas de arte. Os estudantes passam a desenvolver esse tipo de saber e, à medida que ele mexe com a arte, ele mexe com a estética da vida, que não há nada que escape ao olhar desses meninos”, contou a coordenadora.

Repórter: Anna Larissa Falcão