A experiência com o grafite transformou a realidade do estudante Deivid Sampaio. Aos 14 anos, ele descobriu na arte uma forma de se abrir com o mundo. “Eu achei uma coisa boa ver que fiz o muro. Eu pensava que não sabia fazer nada, que sabia fazer somente bonequinho de palito. Mas a arte nunca deixa você para trás. Ela sempre coloca você para frente. Eu era uma pessoa muito fechada, nunca me mostrava. Eu pensava assim até a primeira vez que peguei em uma lata de spray e fiz uma coisa que foi muito estimulante para mim”, relata o adolescente.
 
Deivid foi um dos participantes da primeira oficina do projeto Mais Grafite, realizada no último dia 14, no Colégio Estadual Carlos Alberto Cerqueira, no bairro de São Caetano, em Salvador. Durante a atividade, os estudantes fizeram um painel que agora enfeita o muro da escola. O espaço ganhou colorido, vida e atitude. Nesta quinta-feira (20), Deivid participou junto com os colegas da reunião que debateu a experiência e o resultado dos trabalhos. 
Rodrigo dos Anjos, 13 anos, o MC Baixinho, comemora por ter participado da criação e por ver o lugar ser mais frequentado pelos colegas. “Antigamente, aquele lugar era um pouquinho isolado. Ninguém ficava ali direito. Mas hoje em dia tem várias pessoas lá, tirando foto para postar no Facebook. Eu acho que ficou muito legal e foi uma experiência muito divertida para todo mundo”, afirma Rodrigo.
Foto: Carol Garcia/GOVBA
Com a oficina, Deivid Sampaio percebeu que também pode produzir arte
(Foto: Carol Garcia/GOVBA)
Mudança de perspectiva  
Depois da oficina, a perspectiva sobre o grafite mudou completamente para Ana Paula Vieira, 14. “Eu gostei muito de saber mais sobre a arte. Antes, eu achava que era vandalismo, mas Galvão e Bigode mostraram que não é vandalismo, é arte”, conta a estudante, que espera que o projeto se repita na escola. 
A oficina gerou oportunidade e significado também para os artistas que participaram da iniciativa promovida pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS). O grafiteiro baiano Diogo Galvão ministrou a oficina e vê no projeto uma chance de disseminar melhor o movimento. 
“A visão que a sociedade e o poder público têm do grafite vai muito em cima de juízo de valores. A gente acredita que a escola é o principal instrumento do Estado para agir diretamente nessa transformação. O grupo de grafiteiros fica feliz em ver o poder público cada vez mais interessado em querer que o grafite participe dessa transformação’, destaca o arte-educador. 
Foto: Carol Garcia/GOVBA
O grafite levou colorido, vida e atitude para espaço do colégio
(Foto: Carol Garcia/GOVBA)
Arte e educação
Integrando o programa Pacto pela Vida, o Mais Grafite vai promover uma série de 14 oficinas em escolas da capital. A segunda oficina será realizada no Colégio Estadual Cesare Casali, no Conjunto Pirajá, no dia 28. Para o coordenador de Políticas para a Juventude da SJDHDS, Jabes Soares, a resposta dos alunos da primeira oficina confirma que arte e escola, juntas, podem transformar vidas. 
“A gente percebe que o objetivo foi alcançado quando o jovem diz que a arte significou uma oportunidade dele colocar para fora sua expressão e que ele se sente um pouco mais capaz. A gente sabe que esse é o maior resultado que podemos alcançar com uma intervenção dessas”, avalia o coordenador. 
 
Do ponto de vista pedagógico, o Mais Grafite também se revela como uma eficiente ferramenta educativa. “O impacto foi extremamente positivo. Os estudantes passam a sentir atores e autores. A ideia é essa: colocar as crianças, os jovens e os adolescentes no protagonismo da ação educativa. Eles tiveram a oportunidade de dialogar, trabalhar em equipe, modificar um espaço, trazendo alegria e a própria arte do grafite como um meio de expressão”, comenta a diretora do Colégio Estadual Carlos Alberto Cerqueira, Leonídia Pinto.
Repórter: Lina Magalí