Além de recanto do conhecimento, as bibliotecas têm um papel importante para a preservação da memória de um povo. Com um acervo composto por mais de seis mil volumes, a Biblioteca Histórica do Colégio Estadual da Bahia – Central, no bairro de Nazaré, em Salvador, ajuda a contar a história da Bahia. São documentos e livros que formaram nomes como Milton Santos, João Ubaldo Ribeiro, Carlos Marighella e Glauber Rocha. Fundado em 1837, o Central foi o primeiro colégio de ensino médio da Bahia. 
O acervo histórico inclui os livros de registros dos estudantes e fotografias. “É um material riquíssimo, com documentos de muitos assuntos e em muitas áreas de conhecimento. Temos livros do século XIX, de história, biologia e literatura, notícias do início do século XX e teses de professores. É um ambiente maravilhoso de consulta. Os pesquisadores encontram aqui obras raras, que podem enriquecer seus trabalhos”, explica a historiadora Deborah Kelman, coordenadora do acervo do local.   
De acordo com a professora e pesquisadora Isabel Barreira, o espaço da biblioteca ajuda a complementar a educação de sala de aula. “Sem isso, o aprendizado é incompleto. Preservar um lugar como esse, que tanto contribuiu para a formação de grandes nomes desse país, é o mesmo que preservar a cultura e a história brasileira. É um espaço muito importante para pesquisadores”, afirma.
Fazem parte do acervo obras raras como ‘Flora Brasiliensis’, de 1840, editada pelos botânicos alemães Carl Friedrich Philipp Von Martius, August Wilhelm Eichler e Ignatz Urban. A publicação é a principal referência dos pesquisadores no estudo da flora brasileira, especialmente na floresta amazônica. Também integram volumes da ‘História da Colonização Portuguesa no Brasil’, de 1921, de Carlos Malheiros Dias, e escritos de Machado de Assis e Ruy Barbosa, entre outras obras. 
Colégio Central
Com 179 anos de fundação, o Central foi primeiro colégio de ensino médio da Bahia
(Foto: Elói Corrêa/GOVBA)

Revitalização 
A biblioteca do Colégio Central foi revitalizada pelo Governo da Bahia em 2015. Segundo a coordenadora do Livro Didático da Secretaria da Educação do Estado, Alessandra Santana, outras 60 bibliotecas escolares em Salvador e região metropolitana já receberam melhorias, a partir da implantação do Sistema de Bibliotecas Estaduais. 
“Nós procuramos espaços mal aproveitados para transformarmos e torná-los mais atrativos para os estudantes. Fazemos mudanças, organizamos e classificamos esses acervos. Oferecemos também palestras de formação para os técnicos e bibliotecários, para que eles possam dar continuidade a esse trabalho”, destaca Alessandra.
Repórter: Tácio Santos