Os rituais de fé e as tradicionais comemorações pelo Dia de Iemanjá atraíram, nesta quinta-feira (2), milhares de baianos, turistas e devotos da rainha das águas para o bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Fiéis levaram presentes como forma de agradecimento pelas graças alcançadas em diferentes momentos da vida.

Aos 80 anos, dona Espedita Barreto chegou cedo ao local, depositou flores e alfazema aos pés da imagem da orixá, na Colônia de Pescadores. Emocionada, fez orações e pedidos. “Sempre peço paz, saúde e proteção para mim e minha família. Mas o mais importante aqui é agradecer. Agradeço com muita fé o fato de ter voltado a andar. Iemanjá, minha mãe, me curou de uma paralisia que estava desenvolvendo já adulta”, afirma a dona de casa

Quem foi ao bairro também pôde conferir símbolos da Bahia, como afoxé, capoeira e comidas típicas. Muita gente aproveitou para incrementar a renda do mês com a venda de flores e contas. Com apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), a procissão-performance intitulada Lavagem também reforçou o clima de festejo. Cinquenta mulheres de diferentes idades, profissões e experiências de vida expressaram a fé em caminhada artística que partiu do Casarão Lalá, na Rua da Paciência até a beira do mar, onde presentearam Iemanjá com coroas de flores. A manifestação mistura fé e luta feminista.

Iemanjá
(Foto: Camila Souza/GOVBA)

“Esse projeto fala do feminino. Ele é um desdobramento da pesquisa sobre Ofélia, personagem afogada de Hamlet, obra de Shakespeare. Então, o projeto tem ligação com a imagem da mulher, da loucura, da arte e da água”, explica a artista idealizadora do projeto, Olga Lamas, sobre a relação da performance Lavagem com Iemanjá.

A titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis, destacou o protagonismo da festa. "Trata-se de uma relevante e notória expressão de fé do povo baiano com suas preces, rituais, balaios repletos de presentes e esperança em dias melhores. Fica a mensagem e o compromisso de seguirmos na luta pelo combate à intolerância religiosa, enfrentamento ao racismo e às opressões, construindo e articulando políticas públicas que promovam a igualdade racial e melhores condições de vida para a população".

De férias em Salvador, a mineira Fernanda Vieira arrastou os amigos soteropolitanos para participarem das comemorações. A enfermeira tinha curiosidade de conhecer os festejos de Iemanjá e teve a chance de participar pela primeira vez. “Ouvia muitos amigos meus de Belo Horizonte, que já haviam participado. Hoje pude perceber que é algo único, muito especial. A energia é maravilhosa”, conta a turista.

Segurança

Para a Festa de Iemanjá deste ano, a segurança pública foi reforçada. Os festejos contam com um esquema policial com mais de 900 profissionais, entre eles policiais civis, militares e bombeiros. Divididos em três postos de abordagem, sete bases móveis, três postos de comando e oito postos elevados, cerca de 700 policiais militares garantem o policiamento na festa e no entorno, com a utilização de patrulhas nas principais vias de acesso.

Liderados pelo Comando de Policiamento Regional Atlântico, participam da festa unidades das operações Gêmeos e Apolo, os batalhões de Polícia de Choque e Especializado em policiamento turístico, esquadrão de motociclistas Águia e Polícia Montada, além do reforço da 12ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM).

Iemanjá
(Foto: Camila Souza/GOVBA)

Já a Polícia Civil conta com efetivo reforçado na 7ª Delegacia Territorial. A PC disponibilizou uma Delegacia Especial de Área, totalizando 41 policiais civis de plantão, entre delegados, escrivães e investigadores. As ações do Corpo de Bombeiros também foram intensificadas com quase 200 profissionais – um aumento de 70% em relação a 2016, quando foram empregados 115 bombeiros.

Turismo

Uma das datas mais expressivas do calendário de festas populares da Bahia, a Festa de Iemanjá é realizada desde 1923. Os festejos ocorrem na temporada de verão da Bahia, quando, de acordo com estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis na Bahia (ABIH-Bahia), os hotéis de Salvador registram uma média de ocupação de 85% dos leitos na cidade. O secretário de Turismo do Estado, José Alves, destaca que a celebrações da festa da rainha das águas impacta positivamente outras cidades baianas, além de Salvador, o que é importante do ponto de vista econômico.

“A Festa de Iemanjá é um evento muito interessante pelo aspecto religioso, mas também é uma festa que movimenta, não somente turistas na capital como também no interior. Esse ano tem festa acontecendo em Porto Seguro, Ilhéus, em Valença, entre outros lugares. Ela não se limita apenas a Salvador”, destaca o secretário.

Iemanjá
(Foto: Camila Souza/GOVBA)

Com a característica que marca as festas religiosas baianas, de unir o sagrado ao profano, as homenagens à orixá Iemanjá – das religiões de matriz africana – atraem turistas de várias partes do Brasil e até do exterior. São pessoas que se rendem à tradição dos baianos de reverenciar a orixá, fazer pedidos ou simplesmente admirar uma das manifestações populares mais belas e concorridas do calendário de eventos da Bahia.

Repórter: Leonardo Martins

Publicada às 13h30
Atualizada às 14h20