Entre esta quinta (23) e a próxima terça-feira (28), dezenas de entidades apoiadas pelo Carnaval Ouro Negro vão desfilar nos três principais circuitos da folia, em Salvador. A Secretaria de Cultura do Estado (Secult) investe mais de R$ 5 milhões na iniciativa, contribuindo para a valorização e preservação da tradição de blocos afro, afoxés, grupos de índios e reggae. A poucos dias dos desfiles, integrantes dos blocos ajustam os últimos preparativos para a folia.
Na sede do Bloco Alvorada, o mais antigo de samba na capital, no bairro de Nazaré, o clima é de expectativa pelo 42º ano de alegria na Avenida. Na movimentação provocada pela entrega e comercialização dos últimos abadás e em meio às reuniões de alinhamento com os coordenadores do bloco, o diretor Vadinho França ressalta a importância do apoio do Governo do Estado e os cuidados na seleção dos grupos contemplados. 
“O melhor do projeto Ouro Negro é a transparência. São expostos para todos quais os critérios, os documentos necessários e cada entidade pode acompanhar os procedimentos com responsabilidade. Essa inserção financeira na cultura, ligada a projetos fortes e identitários, é muito importante”, comenta o dirigente e cofundador do bloco.
Foto: Daniele Rodrigues/GOVBA
O Bloco Alvorada realiza últimos preparativos para o desfile 
(Foto: Daniele Rodrigues/GOVBA)
O Alvorada desfila na sexta-feira de Carnaval (24), com o tema ‘Uma Alvoradas para as mulheres’. Este ano, além da Ala de Canto, o grupo apresenta atrações como Juliana Ribeiro, Bambeia, Roberto Mendes, Raimundo Sodré, Aloísio Menezes, Reinaldo (Príncipe do Pagode) e Gal do Beco. Outros tradicionais blocos de samba, como o Alerta Geral, Reduto do Samba e Vem Sambar, também recebem apoio do projeto Ouro Negro em 2017.   
Valorização  
O Carnaval Ouro Negro é coordenado pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), vinculado à Secult. Para o secretário de Cultura do Estado, Jorge Portugal, ao valorizar a tradição e apoiar financeiramente essas entidades, o governo está cumprindo o seu dever. “Muitas vezes, esses blocos não atraem o apoio publicitário e, se não fosse o apoio do governo, eles tenderiam a desaparecer. Portanto, a manutenção desse Carnaval é feita pelo Estado”, explica Portugal.
Em 2017, o projeto Ouro Negro chega à 10º edição. A maior partes das agremiações apoiadas desenvolvem, durante todo o ano, trabalhos sociais. Juntos, esses blocos envolvem a apresentação de mais de 5 mil artistas, entre músicos, dançarinos e percussionistas, e possuem cerca de 1,5 milhão de associados.
Força feminina
Fundado em 1994 e formado exclusivamente por mulheres, o Bloco Didá também recebe apoio do Ouro Negro. Desfilando no sábado (25), no Campo Grande, o grupo vai levar para a Avenida o tema ‘Real realeza, toda mulher negra é uma rainha quilombola’. A diretora de projetos do bloco, Vivian Caroline, ressalta que o apoio do poder público é necessário, inclusive, para as atividades que o bloco desenvolve durante todo o ano. 
Foto: Daniele Rodrigues/GOVBA
Vivian Caroline é diretora de projetos do Bloco Didá
(Foto: Daniele Rodrigues/GOVBA)
“É fundamental a existência de programas como esse para fomentar o desenvolvimento desses blocos. Trabalhamos o ano inteiro e, no Carnaval, todo esse resultado eclode. Ao apoiar esses blocos, o Governo do Estado está lidando não apenas com material, mas também com o patrimônio imaterial”, afirma Vivian. 
Repórter: Eudes Benício