O segundo dia (sexta-feira, 13) de atividades no espaço Educar para Transformar, na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), foi marcado pelo lançamento de publicações que reforçam o trabalho pelo enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa. A divulgação das obras integrou a programação organizada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), voltada à visibilidade da literatura negra no evento, no âmbito das ações da Década Internacional Afrodescendente.

Uma das obras lançadas foi o livro ‘As Vinte e Uma Faces de Exu na Filosofia Afrodescendente da Educação’, que dialoga estrategicamente com a realidade regional, segundo o autor Emanoel Luís Soares. “Trata-se de uma pesquisa realizada, em grande parte, no município de Cachoeira. Agora dou um retorno à comunidade, para que essa material não fique nos armários. É uma abordagem, na filosofia afro-brasileira da educação, sobre a maneira como Exu age, ele que é considerado o pai da comunicação e do movimento, do ponto de vista das religiões de matriz africana e desta mesma cultura afro-brasileira”.

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Emanoel Luís Soares‘ lançou ‘As Vinte e Uma Faces de Exu na Filosofia Afrodescendente da Educação’

Ainda de acordo com o autor, o conteúdo traz contribuições significativas para o enfrentamento às discriminações, uma vez que “a maior faceta da intolerância religiosa é a ignorância”, segundo ele, que é professor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e coordenador de Ações Afirmativas da instituição de ensino. O livro integra a coleção Uniafro, formada de um conjunto de publicações focadas nas temáticas das religiões afro-brasileiras, da capoeira, comunidades rurais, quilombos, mulheres negras, dentre outras.

Na área a literatura infantil, a pedagoga Kalypsa Brito lançou ‘Pretinha de Ébano’ e ‘A Fada Dia e o Duende Mante’, com histórias inspiradas em cenários como o bairro da Liberdade, em Salvador, e a Chapada Diamantina. De acordo com a autora, os escritos somam-se às iniciativas pela efetivação de uma política educacional pela eliminação dos estereótipos, com personagens negros em destaque. “Na escola pública percebemos as lacunas que existem para a aplicação de uma educação para o combate ao racismo e às discriminações”.

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O universo infantil foi levado à Flica pela pedagoga Kalypsa Brito. Fotos: Ascom/Sepromi

“Em todos os espaços podemos construir educação. Seja nos eventos, nos movimentos sociais, nos terreiros, nas igrejas. A educação antirracista é possível em diversas dimensões”, ressaltou Kalypsa, que também é educadora popular e mestre em Educação. Ela destacou ainda a presença do Governo do Estado no maior evento literário da Bahia. “A Sepromi tem contribuído, através da participação na Flica, com escritores que não contam com apoio das grandes editoras. Assim, cria oportunidades para educadores, pais, lideranças negras e de matriz africana”.

Neste sábado (15) a programação Sepromi inclui os lançamentos dos livros ‘Xangô e Thémis,’ do advogado e militante do movimento negro Sérgio São Bernardo; ‘Equede – A mãe de todos’, da religiosa Gersonice Azevedo Brandão, a equede Sinha; e ‘Diáspora e ancestralidade’, do historiador Fábio Lima. Mais informações sobre a Flica podem ser acessadas no site do evento.

Fonte: Ascom/Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi)