Estabelecer diálogo entre museus, população, órgãos municipais, estaduais e federais, com atividades educativas, cine-debates e exposições que abordem a importância cultural da mandioca. Esse é um dos principais objetivos do projeto ‘Cultura na agricultura: Mandioca entre a tradição e a ciência’, do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), que venceu o edital nº 01/2016 da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O projeto engloba as cidades de Jequié (Território de Identidade Médio Rio de Contas), Cabaceiras do Paraguaçu (Território de Identidade Recôncavo) e Salvador. O público será preferencialmente de estudantes da rede estadual de ensino. “Ficamos contentes por conseguir propor temática que salienta a aproximação entre a tradição e a ciência sobre essa cultura tão presente e importante para a população de várias regiões da Bahia e do país”, ressalta a socióloga do Ipac, Jussara Nascimento, coordenadora da iniciativa. A mandioca, também conhecida em outras regiões brasileiras como aipim ou macaxeira já era cultivada antes da colonização europeia.

Edital Ipac
Jequié, no Território de identidade Médio Rio de Contas, engloba o projeto, juntamente…

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil é hoje o quarto produtor do mundo, atrás somente da Nigéria, Tailândia e Indonésia. A sua cultura envolve amplos espectros da vida comunitária, social e econômica de milhões de brasileiros.

Patrimônio Imaterial

“O saber cultural acumulado de tudo que envolve a mandioca desde épocas pré-colombianas até hoje configura-se como um patrimônio imaterial brasileiro”, enfatiza Jussara. O Nordeste está responsável por 35% da produção e o Norte por 24%. Os estados que mais produzem são Pará (18%), Bahia (17%) e Paraná (15%), seguidos por Rio Grande do Sul (6%) e Amazonas (5%). Porém, a maior produtividade concentra-se no Sudeste e Sul, com médias entre 17 e 18 toneladas por hectare, com destinação industrial.

A equipe do projeto reuniu cinco técnicos do Ipac – da Gerência de Patrimônio Imaterial (Geima), Assessoria Técnica (Astec) e Diretoria de Museus (Dimus). Além Jussara, participam as antropólogas Nívea Alves e Adriana Cerqueira, a historiadora Milena Rocha e os museólogos Diogenisa Teixeira e Antônio Varjão (Museu de Jequié). Jussara destaca ainda a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que cede os especialistas Joselito Motta e Carlos Estevão para palestras e o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb) que faz cessão do documentário ‘Mandioca Raiz do Brasil’.

Edital Ipac
…com Cabaceiras do Paraguaçu (Recôncavo), onde fica o museu dedicado ao poeta Castro Alves

Eventos na capital e interior

A programação acontece de 17 a 23 de outubro, sendo gratuita e aberta a todos os interessados. As ações ocorrerão no Centro Cultural Solar Ferrão, no Pelourinho, em Salvador, e no Parque Castro Alves, no município de Cabaceiras do Paraguaçu, ambos equipamentos administrados pelo Ipac. Além disso, o projeto conta com parceria do Museu da Cidade de Jequié, onde o projeto será realizado com estudantes e professores.

Criado em 1967, o Ipac atua junto com a sociedade, os poderes públicos municipal e federal, na salvaguarda de bens culturais materiais e imateriais. A Bahia detém 175 imóveis tombados e bens imateriais registrados via o instituto. A relação dos bens protegidos estão disponíveis no site do Ipac.

Fonte: Ascom/Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia (Ipac)