Olhar para dentro de si, para o lado, e decidir como posicionar seu discurso, sua ação; principalmente, esquecer regras e criar o próprio jogo para estabelecer novos modos de (re)existir em tempos de crise, seja ela pessoal ou coletiva. Essa é a proposta da nona edição do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia, o Fiac Bahia (confira programação completa), que acontece em Salvador, desta terça-feira (25) a domingo (30), com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e da Secretaria de Cultura (Secult). Ao longo de seis dias, a capital baiana será um centro de ebulição performativa com espetáculos, oficinas, debates, mediações e festas, todos buscando refletir juntos sobre uma mesma questão: Como reinventar a participação coletiva diante de tantas rupturas?

Reconhecendo o festival como ambiente de formação, criação, produção, difusão e, sobretudo, como oportunidade para promover experiências e múltiplas traduções, a equipe da 9ª edição do Fiac Bahia aproxima-o da noção participativa como uma convocação ao engajamento direto, em detrimento a esquemas de representação. Em cada uma das ações programadas, portanto, o convite é para o coletivo, o engajamento físico, uma convocação à presença; ou seja, um chamado para “meter mão”, tanto no sentido figurado, quanto literal. O Fiac Bahia 2016 é uma realização da Realejo Projetos, e produção da 7OITO Projetos.

Fiac Bahia
(Foto: Ligia Jardim/Divulgação)

Estreia

O Fiac Bahia 2016 teve início nesta terça (25), às 10h, com a 3ª edição do Seminário Internacional de Curadoria e Mediação em Artes Cênicas ocupando o Goethe-Institut. Às 20h, no Teatro Vila Velha, acontece a abertura oficial com o espetáculo Nós, do Grupo Galpão (MG), convocando logo de cara o público a entrar em cena. Gerada após um mergulho radical na experiência de mais de 30 anos do Galpão, a 23ª montagem da companhia tem direção de Márcio Abreu e patrocínio da Petrobras, e surge para debater questões como a violência e a intolerância, a partir de uma dimensão política.

Neste trabalho, somos todos levados a presenciar situações de opressão e de convívio com a diferença, provocadas pelas relações de proximidade entre artista e espectador, ator e personagem, cena e plateia, público e privado, realidade e ficção. Nós chega ao Fiac Bahia pouco tempo depois de sua estreia nacional, realizada em abril deste ano.

Endogenias
(Foto: Fábio Bouzas/Divulgação)

A partir da noite de estreia, o festival se espalhará por 12 espaços de Salvador: além do Teatro e Pátio do Goethe-Institut, e Teatro Vila Velha, as atividades serão realizadas no Teatro Castro Alves, Teatro Martim Gonçalves, Espaço Cultural Barroquinha, Teatro Martim Gonçalves, Teatro Experimental, Teatro Gregório de Mattos, Casarão Barabadá, Casa Preta, Coaty e Oliveiras.