A economia baiana inicia um ciclo de retomada do crescimento, como aponta o Indicador de Confiança do Empresariado Baiano (Iceb), índice que avalia as expectativas das entidades representativas do setor produtivo, calculado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan). Em agosto, o Iceb apontou o quinto avanço seguido. O indicador marcou -270 pontos no referido mês, melhora de 63 pontos em relação ao de julho (-333 pontos). A melhora sucede um avanço de 62 pontos em junho e de 13 pontos em julho. O resultado é um dos assuntos discutidos nesta quinta (22) e sexta-feira (23), no auditório da Fecomércio, em Salvador, durante o XII Encontro de Economia Baiana.

O setor de Agropecuária completou quatro meses seguidos de recuperação, mantendo-se como atividade menos pessimista. Na Indústria, as expectativas melhoraram pelo quinto mês consecutivo. O nível de confiança do setor de Serviços voltou a avançar, atingindo o menor nível de pessimismo desde janeiro de 2015. O nível de confiança do Comércio apresentou o quinto avanço seguido, permitindo que, após cinco meses, o setor deixasse de exibir o maior nível de pessimismo entre as atividades.

Para o coordenador geral da Seplan, Antônio Alberto Valença, o Estado tem que passar confiança e adaptar a atuação à crise. “Tem que cortar despesas, se rearrumar internamente e procurar também retomar suas atividades para estimular os agentes privados. É isso que o Estado da Bahia deve fazer e está fazendo agora. Este estímulo aos agentes privados se fundamenta a um princípio básico, que é transmitir confiança”, avaliou. Valença afirma que o encontro está sendo realizado para se discutir a crise abertamente por todos os agentes públicos e privados. “Dessa discussão surgem novos caminhos e ideias e é isso o que se espera, contribuir para vencermos o mais rápido possível esse período ruim que vivemos”.

Avanço na economia baiana
XII Encontro de Economia Baiana acontece até sexta (23), em Salvador (Foto: Carol Garcia/GOVBA)

Soluções de apoio

O presidente da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), Otto Alencar Filho, afirma que o evento tem a meta de reunir pensadores de políticas públicas e avaliadores da economia para propor soluções de apoio à iniciativa privada para vencer a crise. “Nosso objetivo é financiar micro, pequenas e médias empresas. No ano passado, financiamos mais de R$ 390 milhões em projetos baianos. Também temos uma linha de financiamento para municípios. Do segundo semestre de 2015 até o momento, já contratamos mais de R$ 250 milhões para financiamentos a municípios, em sua maioria, voltados para infraestrutura, pavimentação, drenagem, entre outros”.

O presidente em exercício da Fecomércio, Kelsor Fernandes, afirma que todo o Brasil passa por uma situação difícil. “A Bahia não ficaria incólume a isso. Nós somos um estado relativamente pobre, mas o Governo tem, dentro do possível, feito o papel dele, tentando atrair novas empresas, tentando resolver os problemas fiscais, eu acredito que vamos chegar a um bom termo”, destacou Kelsor.

Para o professor de economia, Henrique Tomé da Costa Mata, coordenador do Programa de Pós-graduação em Economia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), “há um ambiente de relativa tranqüilidade no estado, as coisas funcionando institucionalmente”.

Repórter: Raul Rodrigues