Povos de terreiro, que cultivam religiões afrobrasileiras, ganharam nesta quinta-feira (15) um ateliê onde poderão encomendar vestimentas de uso diário e de festas, com qualidade e preços justos, dentro do conceito da economia solidária. Entregue pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o novo espaço funciona no Terreiro Pilão de Prata, no Alto do Caxundé, no bairro da Boca do Rio, em Salvador.

O Governo do Estado, por meio da Setre, investe R$ 180 mil na iniciativa, que prazo de execução de 24 meses. O Ateliê de Roupas Afrobrasileiras é um dos projetos classificados pelo Edital 001/2014, que visa apoiar entidades da sociedade civil sem fins lucrativos, no campo da formação e do desenvolvimento de empreendimentos e redes de economia solidária.

O secretário estadual do Trabalho e Esporte, Álvaro Gomes, destaca o esforço do Governo do Estado em capacitar a população afrodescendente e, por extensão, estimular a geração de emprego e renda. “Precisamos acabar com preconceitos para que tenhamos uma sociedade mais justa, de paz social, e sem qualquer discriminação”, ressaltou.

Air José de Souza, babalorixá do terreiro Pilão de Prata, saudou a todos pelo empenho na realização das oficinas de corte e costura e bordado, que vão manter o ateliê em funcionamento. “Aqui, as portas estarão sempre abertas para receber a todos os irmãos. Sejam eles ou não do axé”.

Foto: Reinaldo Alcântara
O ateliê vai produzir vestimentas de uso diário e de festas (Foto: Reinaldo Alcântara)

Capacitação

Coordenadora do projeto, a professora Tânia Silva comemorou a realização das oficinas, que acontecem a partir de 1º de outubro. “Mais de 80 pessoas se inscreveram, inclusive de Camaçari e Lauro de Freitas. Vamos atender 40 em duas turmas de 20 pessoas cada. As aulas serão sempre pela manhã, das 8h30 às 12h30”.

No projeto Ateliê de Roupas Afrobrasileiras, no âmbito de Matriz Africana, as costureiras e bordadeiras vão produzir roupas do candomblé, confeccionadas de forma artesanal. As peças serão comercializadas no memorial Lajuomim (no próprio espaço) e também em postos dos Centros de Economia Solidária (Cesol).

Segundo Air José de Souza, as indumentárias e vestimentas do candomblé seguem hierarquias e devem ser respeitadas pelas tradições centenárias, originárias de uma religião milenar. No ateliê serão produzidas saias, ojás (turbantes), pano de costa e camisu (camisa de ração), entre outras peças, que receberão bordados (barafundas) de richilieu, asa de mosca, roda de quiabo e bainha aberta, entre outras habilidades a serem ensinadas pela mestra Itana das Neves.

Fonte: Ascom/Setre