Os 130 jovens atendidos pelo Núcleo de Prática Orquestral e Coral do Bairro da Paz, em Salvador, comemoraram com música a entrega das quatro novas salas de ensaio nesta terça-feira (6). Funcionando em imóvel da Santa Casa da Bahia, o projeto faz parte dos Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba), responsável por incentivar e promover a inclusão social e o desenvolvimento de crianças e adolescentes através do acesso à música. Ação da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), o Neojiba beneficia 4,6 mil jovens em todo o estado, como os moradores do Bairro da Paz e região.

Para a inauguração, a Banda Sinfônica da Paz tocou ‘Aquarela do Brasil’ e outros sucessos, sob o comando do professor Esdras Efraim Rocha, que acredita no investimento como uma forma de incentivo para os alunos. “Antes, os ensaios eram feitos na parte externa da Santa Casa. Com essas salas, a gente ganha uma privacidade e também uma melhora musical, pois cada um pode estudar separadamente. Além disso, as salas são tratadas acusticamente, o que permite melhor qualidade e trabalhar com grupos maiores ao mesmo tempo”.

O professor lembra ainda que “muitos alunos não podem nem estudar em casa, por causa do imóvel ser pequeno, e acabam incomodando de alguma forma a família. Aqui na Santa Casa, a gente consegue, inclusive, separar horários para que eles venham estudar”.

Foto: Camila Souza/GOVBA
O projeto atende 130 jovens do Bairro da Paz e região (Foto: Camila Souza/GOVBA)

O projeto é formado pelo Coral da Paz e duas bandas – uma delas já se apresenta publicamente, a Banda Sinfônica da Paz, e a outra, com alunos que têm menos de três meses de prática com o instrumento, é a Banda Experimental Pedagógica. Tocando o fagote na Sinfônica, a estudante Lívia Santos Silva, 15 anos, encontrou na música clássica uma nova paixão. “Quando descobri que o Neojiba vinha para o Bairro da Paz, eu fiquei muito animada porque achei que assim ia aprender a tocar violão. Quando eu cheguei aqui foi que descobri o que era uma orquestra, os instrumentos, e me apaixonei pelo fagote. Hoje penso em me tornar musicista”, conta.

Estímulo ao desenvolvimento

A partir de agora, Lívia e os colegas vão estudar nas salas que foram construídas com patrocínio da Fundação Mitsui Bussan do Brasil e doações do engenheiro Brucinei Farias, responsável pelo projeto de instalação elétrica, além do apoio da empresa Artemp, que cedeu mão de obra e materiais para a instalação dos aparelhos de ar-condicionado, e da Audium, que contribuiu com o projeto de isolamento acústico.

Para a gerente de ação social da Santa Casa, Lícia Maria Valente, as salas são um estímulo ao desenvolvimento desses jovens. “Sem dúvida, a música é uma linguagem universal e desafiadora, e, dessa forma, eles conseguem se comunicar de uma maneira diferente da que estão acostumados e a socializar também. Além disso, não deixa de ser um canal, mais uma forma para a inclusão desses jovens na sociedade, tanto que aqueles que se interessam pelo instrumento podem progredir musicalmente e encontrar, inclusive, uma carreira profissional”, destaca.

Repórter: Anna Larissa Falcão